Opinião | 11-01-2023 07:00

Em vez de esclarecer presidente da Agromais não quer falar com o jornalista

Em vez de esclarecer presidente da Agromais não quer falar com o jornalista
Direcção presidida por Luís Vasconcellos e Souza reconhece saldo a favor da Agromais

Opinião - À Margem

O presidente da Agromais, Luís Vasconcellos e Souza, está a revelar uma personalidade diferente daquela que tem feito passar. O dirigente, tido como acessível, rigoroso, apesar de uma imagem sisuda, vem mostrar agora num momento conturbado pelo desfalque milionário na cooperativa, que dirige há mais de uma década, uma postura de arrogância e falta de transparência, que aliás tem vindo ultimamente a ser apontadas por alguns associados da cooperativa, que já geraram perguntas incómodas sobre a gestão e as contas nas últimas assembleias-gerais.
As notícias de O MIRANTE sobre o desfalque, em que Vasconcellos e Souza primeiro disse ser de dois milhões e pouco tempo depois veio dizer que já vai em 4,5 milhões, caíram mal ao dirigente que se recusou a falar sobre o caso do TVT e a dar mais esclarecimentos sobre o desfalque, quando contactado pelo jornalista de O MIRANTE. O problema do presidente da Agromais é não gostar da forma como são feitas as notícias, não conseguindo apontar, apesar de questionado nesse sentido, qualquer erro factual nas notícias.
Vasconcellos e Souza cortou a conversa com o jornalista de O MIRANTE ao comunicar que não falava mais com o jornal que tem acompanhado o caso, quando agora, mais do que nunca, deve explicações relativamente ao período que a cooperativa atravessa e deveria ser princípio seu manter os associados informados.
António Palmeiro

Agromais reclama 10 anos depois 1,7 milhões de dívida esquecida

A Agromais, que está a braços com um desfalque milionário de um funcionário que conseguiu fazer o que quis durante doze anos sem que a direcção desse por isso, também andou esquecida de requerer o dinheiro que tinha no TVT – Terminal Multimodal do Vale do Tejo, quando outros accionistas o fizeram e já receberam.

A cooperativa Agromais, uma das maiores do país no sector agrícola, tem desde 2008 um saldo a seu favor no Terminal Multimodal do Vale do Tejo (TVT) no valor de 1.701.972 correspondentes a acções que tinha no TVT. Devido a uma dívida à banca as quotas dos sócios do terminal foram penhoradas, mas houve accionistas, como a Rianova, que conseguiram recuperar o dinheiro do investimento porque intentaram um processo em tribunal pouco tempo após a execução da banca. A Agromais, que detinha 16% do capital do TVT, não intentou qualquer acção para recuperar o dinheiro durante estes anos e só em Julho de 2021 se lembrou de meter um processo judicial.
As acções dos sócios tinham sido dadas como garantia de um empréstimo à Caixa Geral de Depósitos até oito milhões de euros, que o terminal não liquidou, tendo a caixa penhorado as participações dos accionistas e em 2007 comunicou a venda dessas acções a outra entidade, a Gesbalcony. Em tribunal, houve accionistas que conseguiram a recuperação do investimento porque o juiz considerou que como o terminal não tinha falido e tinha conseguido recuperar e até ter um desenvolvimento que levou ao seu “enriquecimento”, tinha condições para pagar as acções que os sócios deram para salvar a empresa.
No relatório de contas de 2021 da Agromais, que só foi concluído no final de Outubro de 2022 por se ter descoberto um desfalque que não chegava, na altura a dois milhões, e que já vai em 4,5 milhões de euros, é reconhecido o activo que a cooperativa tem no TVT que entretanto foi comprado por uma empresa da área da logística e transportes. A Medway Terminals SA, que se dedica à exploração de terminais rodo-ferroviários, movimentação de cargas e operações com contentores, ficou, ao incorporar por fusão o TVT, em Riachos, Torres Novas, com os seus passivos e activos, conforme consta no documento relativo às contas.
O facto de a Agromais não ter reclamado o valor, que com juros deve ultrapassar os dois milhões, é visto por alguns associados da cooperativa, com quem O MIRANTE falou, como um desleixo e uma situação que em parte prejudica os agricultores associados. Para alguns, ao não ter nos seus cofres o valor das acções do TVT, somado ao desfalque que o responsável financeiro fez ao longo de 12 anos, que pode ser muito maior que os 4,5 milhões já apurados, a gestão descuidada da cooperativa acaba por prejudicar os agricultores no preço a que por exemplo é cobrada a secagem dos cereais, além do valor pago pelos produtos entregues.
Não deixa de ser curioso que a direcção da Agromais, presidida por Luís Vasconcellos e Souza, reconheça no relatório de contas que o reconhecimento de saldo a favor da Agromais “foi assumido em anteriores prestações de contas do TVT”, que a direcção da cooperativa devia ter conhecimento. No “relatório da direcção e contas de 2021”, elaborado em 2022, não deixa de ser curioso também a direcção da Agromais dizer que passados tantos anos esteve a consultar os documentos de prestação de contas do TVT aprovados em 2009 e referentes ao exercício de 2008.

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