Opinião | 18-01-2023 15:00

Ano novo vidas velhas: tudo na mesma como a lesma!

Emails do outro mundo

Camarigueiro Manuel Serra d’Aire

Camarigueiro Manuel Serra d’Aire
Já estamos num novo ano mas só mudou mesmo o algarismo mais à direita no contador. De resto, tudo na mesma como a lesma e já lá vai há muito a vontade de formular votos e de comer passas; e muito menos de me pôr a vaticinar grandes façanhas para o ano vindouro porque os tempos não são de esperanças mas sim de corvos negros e maus augúrios. Inflação desenfreada, aumento de taxas de juro, energia a preços altíssimos, falta de médicos, urgências fechadas ou a meio gás, consultas e cirurgias no SNS chutadas para as calendas, demissões e broncas num Governo (dito socialista) tão trapalhão que faz parecer o de Santana Lopes (há quase duas décadas) um modelo de ponderação, despojamento e responsabilidade.
Por cá, os médicos de família continuam a fugir, os engarrafamentos continuam a moer o juízo aos automobilistas na ponte da Chamusca, os pombos continuam a enxamear as nossas cidades e vilas sem solução à vista, as passagens de nível continuam por suprimir, as enxurradas continuam a fazer estragos, estradas prometidas no início do século continuam por fazer, o novo aeroporto é uma tragicomédia, a CP em greve, os comboios suprimidos, as portagens a aumentar, os professores a manifestar-se e reivindicar. É tudo mais do mesmo. Todos os anos voltamos à casa de partida e nem os milhões do famoso PRR nos dão alento. Será mais uma oportunidade perdida para modernizar o país porque as moscas e a estrutura continuam a ser as mesmas…
Perante este cenário apocalíptico - a que se somam as guerras e a Covid, mais o saque de impostos a que os nossos governantes nos sujeitam desde que somos gente -, beber para esquecer na entrada de 2023 foi o único expediente que me ocorreu. As outras macumbas de Passagem de Ano, como comer passas, bater tampas de panelas, mandar foguetes e estrear cuecas azuis pareceram-me completamente descabidas, pelo sabor umas, pelo ruído algumas e pelo preço outras. Os tempos estão agrestes e o país a precisar urgentemente de uma vassourada. Infelizmente, nunca tivemos grande jeito para limpezas como é bom de ver pela forma como zelamos pelo espaço público. Por isso, meu caro, é aguentar e beber para esquecer, mas com alguma contenção na hora da escolha das garrafas, pois os tempos não estão para Moet & Chandon, James Martin’s ou Barca Velha e quer-me parecer que o cenário ainda vai piorar.
Nas vésperas de Natal a ASAE decidiu dar um ar de sua graça em Santarém e andou a visitar lojas na cidade, o que permitiu aos clientes assistirem ao vivo à actuação das autoridades, aos seus métodos e estilo. Houve quem pensasse que aquilo era para os apanhados ou que se tratava de uma performance artística integrada no programa de animação de rua que decorreu nesta quadra festiva na capital de distrito. Quem não achou piada nenhuma foi a associação de comerciantes e os lojistas. Tal como eu, pelos vistos, também já perderam o sentido de humor…
Um abraço do
Serafim das Neves

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