Opinião | 25-01-2023 21:00

Os preços exuberantes e a bela tradição de não fazer tudo para haver sempre alguma coisa para fazer

Emails do outro mundo

Incomplexo Serafim das Neves

Incomplexo Serafim das Neves
Os especialistas em comunicação já arranjaram solução para os preços altos e não foi necessária qualquer medida extraordinária do Governo ou do Banco de Portugal. Descobri isso a semana passada numa notícia do sector imobiliário, onde eram referidas casas a preços... exuberantes!!
Fiquei aliviado. Já não há casas caras. Há casas a preços exuberantes. E quem diz casas, diz carros, frigoríficos, batedeiras, ovos, farinha, batatas ou costeletas do cachaço. Tudo a preços exuberantes. Para não ter dúvidas até fui confirmar no dicionário.
Exuberante quer dizer superabundante, viçoso, deslumbrante, vivo, animado. Em tempos idos tive uma namorada exuberante. Lembrei-me logo dela ao ver o preço do bife e da fruta e ao verificar a exuberante factura da electricidade e do gás. Mesmo num dia cinzento, frio e chuvoso, um homem sente-se animado.
Depois das mentiras terem sido eliminadas passaram a existir apenas inverdades; das bestas quadradas terem desaparecido passando a haver apenas pessoas agressivas; das mulheres feias se terem eclipsado da terra passando a haver apenas mulheres com um visual exótico e dos idiotas se terem evaporado passando a existir apenas cidadãos preponderantemente obtusos, já era tempo de termos preços exuberantes em vez de altos. E não foi o Putin que chamou operação especial à invasão da Ucrânia?!!
No teu último e-mail referes uma data de coisas que não mudam por mais passagens de ano que celebremos. A falta de médicos de família, os engarrafamentos na ponte da Chamusca, os pombos a cagar nas cidades e vilas, as passagens de nível que não se evaporam por mais calor que faça, o novo aeroporto que se discute há cinquenta anos.
Acho que é disso que alguns falam quando falam da defesa das tradições. E que agarradinhos que somos às nossas tradições, benza-nos Deus. Mas também o que fariam os políticos se aquilo tudo estivesse já resolvido? O que prometeriam aos eleitores? E os eleitores o que exigiriam aos governantes?
A preservação da nossa espécie depende de promessas por cumprir. Inventar novas necessidades como fazem alguns, como casas-de-banho para cidadãos transgénero, ou um Serviço Nacional de Saúde para animais de companhia, dá cabo do cérebro a quem anda naquilo, como se pode constatar.
O ex-presidente da Câmara do Cartaxo, Pedro Magalhães Ribeiro, demitiu-se de assessor do primeiro-ministro António Costa por ter sido multado pela Comissão Nacional de Eleições. Se o lugar não vier a ser ocupado por ninguém poupa-se um ordenado, mas com a crise que para aí vai não acredito. Basta ver a quantidade de pessoas que andam pelas redes sociais a invejar o Rendimento Social de Inserção dos vizinhos.
Serafim, tentei responder às trinta e tal perguntas que vão passar a ser feitas a quem quiser chegar a ministro ou a secretário de Estado. Tentei, mas desisti. Confesso que nem percebi a maioria do que era perguntado. Parecia que estava num exame de chinês. Bolas, aquilo é só para quem frequenta lugares de alta cilindrada, digamos assim. Espero com ansiedade o questionário que vai ser feito aos autarcas.
Saudações intemporais
Manuel Serra d’Aire

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