Anda comigo ver os aviões e festejar o recorde do Bobi… mas sem foguetes
Destemido Manuel Serra d’Aire
Destemido Manuel Serra d’Aire
A comissão técnica independente para analisar a possível localização do novo aeroporto acrescentou as hipóteses Alverca e Beja às opções que já tinham sido definidas para complementar ou substituir o de Lisboa, que são Santarém, Campo de Tiro da Força Aérea em Benavente e Montijo. Mas a coisa não se fica por aí. Uma especialista da tal comissão técnica veio dizer em entrevista que os portugueses também vão ter uma palavra a dizer sobre o assunto e que poderão, através de um processo digital, marcar com um aviãozinho no mapa de Portugal o sítio onde gostavam de ver construída essa infraestrutura.
Ou seja, vamos ter uma espécie de plebiscito em que os treinadores de bancada e tudólogos das redes sociais também vão poder dar os seus palpites. Não sei qual o peso que essa recolha de opiniões vai ter na decisão final, mas espero que nenhuma e que seja só mais um inocente momento lúdico-anedótico de todo o processo. Porque basta ver o jeitinho que temos tido para escolher o sítio do novo aeroporto ao longo dos últimos 50 anos (e, já agora, para escolher algumas das figuras que nos têm governado ao longo dos tempos) para adivinhar que tem tudo para não correr bem…
Assunto igualmente da maior pertinência fervilhou nas redes sociais por alturas da Passagem do Ano e eu, embora com aquele atraso típico do bom português, não posso deixar de o abordar. Prende-se com os malefícios dos foguetes para o bem-estar animal, nomeadamente dos canídeos. Os habitualmente irados apoiantes da causa animal querem acabar com o foguetório que, segundo eles, tanto irrita os caninos e os põe a uivar e a correr como baratas tontas.
Não sei se os ditos defensores dos animais têm alguma procuração em sua posse que os torne legítimos defensores dos patudos, nem se há conhecimento científico cabal para garantir que os ‘bobis’ e ‘pilotos’ sofrem desalmadamente com o barulho dos foguetes. Quem nos garante que não se trata de uma manifestação de êxtase, semelhante à que muitos humanos vivem quando ouvem música em altos decibéis nos concertos de rock e heavy-metal, urrando que nem loucos e atirando-se uns para cima dos outros como se não houvesse amanhã?
Nem de propósito, ficou a saber-se na passada semana que, apesar do foguetório dos arraiais, vive em Portugal o cão mais velho do mundo com direito a entrada no famoso Guiness Book e tudo. Chama-se Bobi, tem 30 anos e sempre comeu o mesmo que os donos, segundo rezam as crónicas. Um feito que merece uma saraivada de foguetes, se o Bobi não se importar....
Entretanto para as bandas de Constância, um conjunto de proprietários estão com os seus terrenos e poços contaminados por herbicidas colocados, ao longo de anos, por um vizinho. É um caso de saúde pública e um atentado ambiental mas, curiosamente, reina um silêncio sepulcral da parte das chamadas entidades e autoridades oficiais. Provavelmente, com tanta conversa que tem havido sobre o novo aeroporto anda tudo nas nuvens.
Despeço-me com um uivo
Serafim das Neves