Opinião | 08-03-2023 18:00

Um galo murcho, pensionistas desabaladamente poupados e o maior parque de campismo do Mundo

Emails do outro mundo

Inabalável Serafim das Neves

Inabalável Serafim das Neves
No meio de tantas cremações, foi uma alegria ler as quadras que dedicaste ao fim do Entrudo. Velhos tempos em que, na Chamusca, por exemplo, havia quem escrevesse e divulgasse com orgulho quadras fesceninas e brejeiras sobre os acontecimentos do ano, para figurarem no Enterro do Galo, que metia carpideiras a espojarem-se pelo chão, padre, sacristão, trincha e tudo.
Agora por ali murchou tudo, como murchou o presidente, que era bom rapaz, mas que ao sentir o cu quente, lhe deu uma de capataz. Com a veia poética castrada por aqueles lados é preciso ir a Samora Correia ou a Alhandra, para ver coisos erectos e escutar poesia bem vernácula, dita despudoradamente.
No Dia dos Namorados, um artista de fato e gravata, que se apresentou como funcionário da Segurança Social, convenceu uma senhora de 76 anos da Glória do Ribatejo a mostrar-lhe os euros que tinha em casa, para ver se as notas eram das que iriam sair de circulação, e levou-lhe 101 mil euros.
O Ribatejo sempre foi uma terra fértil, seja para o milho ou para o euro. A senhora recebe uma pensão de 350 euros mas, no espaço de dez anos, considerando que se reformou na idade certa, conseguiu juntar, em duas latas de bolachas, 101 mil euros em notas, o que dá, contas feitas, dez mil e cem euros de poupança por mês.
É verdade que poupou muito por não ter o dinheiro no banco e não pagar taxas nem comissões de manutenção de conta, mas mesmo assim é obra. O engravatado quando abriu as latinhas e contou a massa deve ter ficado de boca aberta. Até eu fiquei. Se calhar é por causa destas e de outras que os governos não aumentam muito as pensões. Sempre evitam o enriquecimento ilícito dos falsos funcionários da Segurança Social.
Os vereadores da oposição na Câmara do Entroncamento (3 do PSD e 1 ex-Chega) travaram a demolição do Jardim-de-Infância Sophia de Mello Breyner Andresen, que foi encerrado, faz agora dois anos, com o pretexto de poder ruir a qualquer momento.
Como a maioria PS não deverá voltar a meter crianças e professores no edifício sugiro que o mesmo seja cedido à oposição, para utilização até ao fim do mandato. Com tanta falta de espaço era uma excelente solução. E os vereadores do contra não se devem importar porque, para eles, não há qualquer risco de o telhado lhes cair em cima.
Além disso, se vierem a ganhar as próximas eleições, sempre podem usar a experiência a seu favor, para ver se conseguem que os pais voltem a deixar as crianças ter aulas lá e os professores e funcionários também aceitem regressar, sem exigirem capacetes e subsídio de risco.
Para não deixarem arrefecer a luta, uns vinte ou trinta professores decidiram acampar em frente da Assembleia da República. O local recebe anualmente mais campistas que qualquer parque de campismo do país, mas continua sem ter casas-de-banho, nem ligações para electricidade, nem locais para lavar a loiça. Já para não falar numa piscina, num campo de jogos e num lugar para auto-caravanas.
Assim se vê a importância que os deputados dão aos amantes da vida ao ar livre. Um dia destes devia ser organizada uma mega manifestação para exigir isso e mais sombras, por exemplo. Afinal, qual foi a classe profissional que ainda não acampou em frente à Assembleia da República, pelo menos uma vez?!
Um abraço desempoeirado
Manuel Serra d’ Aire

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