Opinião | 09-03-2023 07:00

Um jornal pode ser tão importante para uma região como deixar sair a água de Castelo do Bode para Lisboa

O MIRANTE organizou em Tomar mais uma edição dos prémios Personalidades do Ano que encheu o Cine-Teatro Paraíso, assunto que ocupa algumas páginas desta edição. É um orgulho premiar e estar do lado das pessoas que fazem a gestão dos destinos da região e não viram a cara à luta embora muitas vezes o combate seja de David contra Golias.

Quem tem acompanhado as notícias nos últimos tempos sabe que vivemos uma Terceira Guerra Mundial que já nos aumentou os preços dos bens essenciais em mais de 50%, ainda estamos a viver uma epidemia, temos um sistema de justiça que funciona como uma ETAR avariada, um país rendido, quer gostemos quer não, aos burocratas que nos governam a partir dos gabinetes de Lisboa, e não menos perigoso para todos os que trabalham humildemente e cumprem com os seus deveres, estamos nas mãos de gente que adora negócios, adora, adora negócios, principalmente se não dão muito trabalho nem muitas chatices e o dinheiro puder ir para uma conta numa offshore.
Não estamos em Tomar para falarmos de desgraças. O que não queria mesmo era deixar passar a oportunidade de juntarmos tanta gente com responsabilidades políticas e associativas na região sem deixar uma mensagem que nos parece muito importante; estamos juntos para lutarmos por uma região com um aeroporto, com um projecto a sério para não perdermos os nossos rios, o Tejo, o Nabão, o Zêzere, o Almonda e o Sorraia, entre outros; não perdermos as grandes riquezas que só existem na nossa Lezíria, no nosso Bairro e a nossa Charneca, como já aconteceu em algumas zonas do país, nomeadamente no Alentejo e Trás-os-Montes, e em algum território da zona centro, onde estamos a bater no fundo ao nível da desertificação e da recuperação de património edificado.
Os prémios Personalidades do Ano que O MIRANTE começou a entregar há 18 anos têm hoje cada vez mais essa pretensão de unir pessoas, cimentar vontades, mobilizar afectos, ajudarmos a fazer a ponte entre o Norte e o Sul, o Este e o Oeste. Ligar uma região com um jornal não tem nada de novo se olharmos para grandes regiões do mundo, mas em Portugal, no Ribatejo, é um desafio que é preciso alimentar todos os dias, e a todas as horas, contra ventos e marés, cedendo um ombro para mais tarde conquistar um braço, recuando muitas vezes meio metro para mais tarde avançar dois metros; escrutinando o Poder dos outros mas também o nosso próprio mérito e capacidade de sermos escrutinadores enquanto também somos escrutinados.
As notícias de O MIRANTE têm pernas compridas, chegam onde têm que chegar, não ficam pelo caminho, geram conversa, obrigam ao escrutínio, enfim, completam e justificam o nosso trabalho e os dos nossos parceiros de jornada. E isso é tudo o que justifica esta e outras inicativas de O MIRANTE que juntam todos os anos os principais responsáveis políticos e associativos da região.
Um jornal independente, com jornalistas que não se acomodam, que não fazem fretes, que sabem de que lado é que está o interesse público, que sabem posicionar-se do lado certo quando se trata de uma luta entre fortes e menos fortes; um jornal assim é tão importante para uma região como deixar sair para Lisboa a água da barragem do Castelo do Bode.
Premiar pessoas e instituições é uma missão de um jornal como O MIRANTE que se sustenta na arte do jornalismo mas também num projecto empresarial de sucesso, apoiado numa equipa de trabalho em que uns escrevem notícias e outros vão atrás da publicidade; não há no mundo negócio mais limpinho do que este; só quando é assim, bem feito e bem gerido, é que resulta. JAE.

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