Opinião | 22-03-2023 10:00

Equiparar a Chamusca a Marte e aplicar aos casamentos o período de fidelização das operadoras de telecomunicações

Emails do outro mundo

Cremnóbata Serafim das Neves

Cremnóbata Serafim das Neves
A Câmara da Chamusca gastou meio milhão de euros na festa da Semana da Ascensão do ano passado e mais duzentos e setenta mil num denominado Parque de Sonhos do Natal. Este ano, com a inflação, a despesa ultrapassará, seguramente um milhão. Mas por mais que um município do interior invista ninguém de Lisboa lhe dá valor. Nem deputados, nem ministros, nem televisões, nem nada. Nem sequer o Presidente da República que elogia tudo e mais alguma coisa.
Por causa de um pindérico meio milhão de euros demitiu-se uma secretária de Estado que era secretária de Estado há 24 horas; demitiu-se um ministro que era um futuro primeiro-ministro; foi demitida a presidente de uma companhia aérea; falaram deputados, ministros, comentadores desportivos; falou o Presidente da República e houve forrobodó nos jornais, redes sociais e televisões durante quinze dias. Por muito mais que meio milhão, derretido pela Câmara da Chamusca em toiros e presépios, moita-carrasco. Silêncio total.
O presidente da Câmara da Chamusca, o inefável Paulo Queimado, bem se esfalfa a derreter dinheiro, mas sem resultado. E até faz negócios com quem não devia fazer para ver se aparece, nem que seja no jornal da meia-noite de um qualquer canal por cabo, incluindo o DogTV ou o Toiros, mas sem resultado. Sabe-se mais da vida em Marte do que da vida nas aldeias.
Não é só ele a não ser ouvido. O presidente da Anacom, João Cadete de Matos, anda a tentar que os períodos de fidelização das operadoras de telecomunicações passem a ser de apenas seis meses, em vez dos dois anos com que somos massacrados, mas também ninguém lhe liga. Será por ter origens em Mação, concelho onde não há internet nem rede de telemóvel em grande parte do território apesar de nunca ter sido bombardeado pelos russos?
Ele bem explica que, em Espanha, a internet, com dez vezes mais velocidade que a nossa, custa vinte euros por mês, e que o período de fidelização é de três meses, mas é como se estivesse a falar para os pinheiros e pedregulhos lá da terra dos pais. Mas percebe-se o desinteresse de deputados e Governo. Se os portugueses já vão a Espanha para abastecer os carros porque não irem lá fazer contratos de comunicações?!!
Um grupo de cantores protestou por não estar a ser cumprida a lei que obriga as rádios a passarem, no mínimo, 25% de música portuguesa. A minha dúvida é se, com tanta gente a usar palavras inglesas no dia-a-dia, as canções em inglês não contam como portuguesas. Se não contam deviam contar, pelo menos para evitar estes protestos. E já agora: será que nestas contabilidades há distinções entre canções que respeitam o Novo Acordo Ortográfico e as que ainda seguem o antigo?
E termino com uma pergunta. Será possível aprovar uma lei que obrigue o pessoal a usar pelo menos 25% de palavras portuguesas em cada conversa, notícia, comunicado ou comunicação?

Um abraço ortográfico Manuel Serra d’Aire

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