Opinião | 05-07-2023 21:00

Galambices aeroportuárias no reino das trapalhadas e do turismo para autarcas

Emails do outro mundo

Memorialista Manuel Serra d’Aire

Memorialista Manuel Serra d’Aire
Tal como o rei Midas transformava tudo o que tocava em ouro, também o ministro João Galamba consegue transformar em polémica quase tudo o que diz. Estou convencido que um simples “bom dia” saído da boca do governante pode transformar-se numa efervescente agitação nas televisões e jornais e, quem sabe, conduzir a um conflito nuclear. Na semana passada Galamba teve a ousadia de dizer uma coisa que parece óbvia a quem tiver algumas noções de geografia - que Santarém “é longe” para localizar o novo aeroporto, pelo menos tendo em conta as opções que estão em cima da mesa depois da exclusão de Beja.
Atenção que Galamba, pelo menos desta vez, sabe do que fala. Não sei se te recordas mas o político do PS e lisboeta de gema foi, há cerca de uma dúzia de anos, cabeça-de-lista do PS por Santarém, por duas vezes, em eleições legislativas. É possível que não te lembres dessa faceta pois da sua passagem por cá não ficaram grandes marcas. Mas o homem bem sabe o que teve de palmilhar para aqui chegar nessas campanhas eleitorais. Por isso, não admira que o ministro tenha noção das distâncias e considere que Santarém é longe.
Galamba só se esqueceu que o Governo de que faz parte criou uma chamada comissão técnica independente para avaliar as várias opções e dar um parecer que ajude a sustentar a posterior decisão política sobre a localização do novo aeroporto. Ao abrir a boca para mais uma galambice o patusco governante perdeu mais uma excelente oportunidade para estar calado mas, em contraponto, teve o condão de inspirar reacções divertidas como a do presidente da Câmara de Santarém, que o apelidou de “trapalhão mor do reino”. E num reino (ou República das Bananas) onde se comete tanta trapalhada não é fácil conquistar esse título… Mérito a quem o tem.
Mérito também para a presidente da Câmara de Tomar que vai deixar o lugar para ir para a Região de Turismo do Centro. Em vez de ficar mais dois anos a contar pacientemente os dias até ao fim deste que é o último mandato, a socialista Anabela Freitas decidiu ser pró-activa, como sempre foi, e fazer-se à vida. Inicialmente anunciou ser candidata à presidência do Turismo do Centro, frente a outro candidato (também autarca) afecto ao PSD. Perante a perspectiva de uma guerra entre PSD e PS, em que um deles ficaria mal na fotografia, os dois candidatos enterraram o machado de guerra e, à boa maneira do bloco central, decidiram dividir os cargos pelas aldeias.
Sempre ouvi dizer que no meio, neste caso no Centro, é que está a virtude. E se ainda por cima mete turismo à mistura o cenário parece-me paradisíaco para Anabela Freitas. A laboriosa autarca deixa de aturar as críticas da oposição e as queixas dos munícipes e vai viajar para outras paragens. Para já, pode não ir em 1ª classe mas vai em 2ª, que também serve perfeitamente. Até porque Anabela Freitas é cá das nossas e não me parece pessoa para se importar muito em viajar em turística. O que importa é ir...
Saudações turísticas do
Serafim das Neves

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