Opinião | 07-07-2023 11:58

As estradas - de - prego - a -fundo

A culpa dos acidentes, ao contrário do que alguns espíritos mais retrógrados pretendem fazer crer, não é dos “bebedolas”, nem dos “aceleras”. Estes, no fundo, são doentes. Os primeiros estão viciados no álcool, os segundos na adrenalina. Os únicos e verdadeiros culpados dos acidentes são os vendedores e os fabricantes de automóveis que tentam, por todos os meios, impingir a pessoas carentes e desprotegidas máquinas cada vez mais potentes.

PS e PSD preparam-se para aprovar mais um pacote legislativo de despenalização das drogas com o argumento de que esta é a melhor solução para prevenir e combater o consumo de droga, uma vez que o agravamento das medidas repressivas não resolveu o problema.

Só é pena que PS e PSD não mantenham a mesma coerência, relativamente às infracções estradais. Não é verdade que, nos últimos anos, todos os governos têm sistematicamente agravado as medidas repressivas aos infractores das regras estradais e despendido cada vez mais verbas com a fiscalização? E não é verdade que, apesar do aumento das medidas repressivas e da fiscalização, os acidentes continuam a atingir números elevadíssimos?

Por que razão insiste, então, o Governo em aumentar a panóplia de medidas repressivas, em vez de reconhecer, tal como já se fez relativamente à toxicodependência, que essas medidas não só não resolvem nada como ainda têm ajudado a agravar o problema?

A culpa dos acidentes, ao contrário do que alguns espíritos mais retrógrados pretendem fazer crer, não é dos “bebedolas”, nem dos “aceleras”. Estes, no fundo, são doentes. Os primeiros estão viciados no álcool, os segundos na adrenalina. Os únicos e verdadeiros culpados dos acidentes são os vendedores e os fabricantes de automóveis que tentam, por todos os meios, impingir a pessoas carentes e desprotegidas máquinas cada vez mais potentes. Ora, eram estes que o governo devia perseguir e punir severamente.

Quanto aos “bebedolas” e aos “aceleras”, em vez de os perseguir e de reprimir os seus comportamentos, o Governo devia adoptar medidas idênticas às que tomou relativamente aos toxicodependentes. Ou seja, deviam ser criadas as «estradas-de-prego-a-fundo», equipadas com morgues, cemitérios e centros de saúde, para que os automobilistas que são incapazes de viver sem acelerar e correr riscos ou de conduzir sem ser em estado de embriaguez se pudessem estampar à vontade com a máxima segurança.

Santana-Maia Leonardo

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