Opinião | 14-07-2023 07:00

Os Predadores

Se está interessado em saber como se conquista e mantém o poder em Portugal, aconselho-o a ler este livro intitulado “Os Predadores”. Depois de o ler, vai perceber por que razão temos sido governados, nos últimos trinta anos, por verdadeiras associações de malfeitores e por que razão é praticamente impossível livrarmo-nos desta gente: o sistema está blindado.

Em 2017, o jornalista Vítor Matos publicou um trabalho jornalístico de investigação sobre os dois maiores partidos portugueses, com base em depoimentos e casos reais, dando-nos a conhecer como são construídas as relações de poder dentro de cada partido num esquema de pirâmide, onde apenas consegue triunfar gente pouco escrupulosa e onde as autarquias desempenham um papel essencial.

Se está interessado em saber como se conquista e mantém o poder em Portugal, aconselho-o a ler este livro intitulado “Os Predadores”.

Depois de o ler, vai perceber por que razão temos sido governados, nos últimos trinta anos, por verdadeiras associações de malfeitores e por que razão é praticamente impossível livrarmo-nos desta gente: o sistema está blindado.

Pacheco Pereira, que conhece bem como funcionam os partidos do poder por dentro, reconheceu, no seu último artigo de opinião no jornal Público, que “os partidos do poder (leia-se, PS e PSD) são absolutamente indiferentes à ambição sem princípios, à ganância, aos jogos de poder e, no limite, à corrupção”.

Sete anos após a publicação deste livro, tudo continua na mesma o que demonstra bem não só a falta de vergonha desta gente como também e sobretudo a grande complacência do cidadão eleitor para com esta canalha. Com efeito, quando os chefes partidários, para conquistarem o poder interno no partido, não olham a meios, designadamente, aos mais sórdidos e desonestos, como é relatado no livro, não se pode esperar que, depois, se transformem em gente honesta e honrada no exercício dos cargos que conquistaram de forma tão vil.

A política portuguesa é um deserto de areias movediças onde apenas conseguem sobreviver esses seres híbridos que têm a forma do camaleão e o carácter do escorpião.

E não adianta fantasiar com reformas eleitorais importadas directamente do norte da Europa, sejam os círculos uninominais, seja o voto preferencial, porque a terra portuguesa não é boa para este tipo de culturas que apenas se dá em terras onde o povo não vive de cócoras, pensa pela sua cabeça, ama a liberdade, o rigor, a transparência e a democracia.

Santana-Maia Leonardo

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