Opinião | 19-09-2023 15:00

A bênção das gaitas e das pilotas e as presidentas que não são mulheres de presidentes

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Desempoeirado Serafim das Neves

Desempoeirado Serafim das Neves
A moda das bênçãos e benzeduras nunca passa de moda. Benzem-se escolas, hospitais, tractores e alfaias; benzem-se os barcos nas festas de Constância e rebanhos; e ambulâncias; e quartéis de bombeiros. E até se benzem carros, em Fátima, por exemplo. Os padres não têm mãos a medir e a água benta salpica tudo. Podemos ser um país laico mas em matéria de bênçãos e benzeduras somos imbatíveis.
Em Viana do Castelo, no início do mês, houve uma bênção de gaitas e foram benzidas centenas. Gaitas portuguesas e gaitas galegas debaixo da mesma chuveirada benta. Gaitas de foles, convém dizer, para que não restem dúvidas, embora no meio de tanta confusão seja normal que tenham sido benzidas algumas das outras.
E a precisão justifica-se porque, nos dias de hoje, muita coisa se presta a confusões, seja de género, de géneros ou outras. O acordo ortográfico que muitos, como nós, não usam e outros usam muito mal, também contribui para a balbúrdia, como sabes.
Aqui há dias, um título do circunspecto DN falava de uma pilota e aquilo chamava a atenção. Ainda por cima porque era uma pilota do Porto...e quase me apetecia acrescentar o habitual carago!
Pus-me a ler para saber se também tinha sido benzida. Ela e outras pilotas. Não obtive essa informação, mas descobri que a pilota era uma antiga piloto de ralis chamada Lígia Albuquerque. Uma das primeiras, se não a primeira, da modalidade. Uma pilota entre pilotos, poderia ter escrito o autor do texto.
Lembro-me que a presidente da Fundação José Saramago e viúva do escritor, Pilar del Río, quando foi nomeada Personalidade do Ano pela redacção de O MIRANTE, insistiu muito para ser tratada por presidenta.
Por simpatia e porque Pilar del Río merecia o pedido foi atendido... mas por pouco tempo. Embora presidenta exista na língua portuguesa a palavra é normalmente usada a nível popular para designar a mulher do presidente e não a detentora de um cargo.
Ou seja, se Pilar del Río pilotasse um carro de rali um seguidor do novo acordo ortográfico chamar-lhe-ia pilota, sem hesitar, mas hesitaria certamente na designação de presidenta ou de presidenta pilota, já agora.
É verdade que há mais mulheres a presidir a muito mais coisas e isso devia ajudar a generalizar o uso da palavra presidenta, mas as presidentas, esposas de presidentes, continuam a ser muitas mais. E qual é a presidenta, mesmo presidenta, que quer ser confundida com a mulher de um qualquer presidente?
Tal como tu, também nunca fui ao bar da Dona Kikas, no Vale de Santarém. Mas não fiquei espantado com o interesse que despertou a despedida da “madame” e a passagem do famoso La Siesta e do seu recheio para mãos espanholas. Nos desgraçados dias de hoje um oásis como aquele é um bem inestimável e ainda por cima localizado no interior do país, que tanto precisa de investimento.
Felizmente isso foi reconhecido pelo IAPMEI - Agência para a Competitividade e Inovação - que lhe atribuiu por três vezes o estatuto de PME Líder, que distingue o mérito das pequenas e médias empresas (PME) nacionais com desempenhos superiores”. Só lamento que o Presidente Marcelo ainda não tenha condecorado a promotora pelos relevantes serviços prestado ao país.
Saudações empresariais
Manuel Serra d’Aire

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