Opinião | 26-12-2023 20:56

O caos num País que teima em não evoluir*

Assim como na Proteção Civil tivemos um 17 de setembro de 2017, na Saúde temo-lo todos os dias sem que exista coragem política para decidir. Decidir pelos portugueses, por todos os portugueses e não só por alguns.

Ontem tive a infeliz oportunidade de assistir, na primeira pessoa, ao que já todos dizem saber, ao que, infelizmente, muitos sabem pôr na pele o sentirem.

O choro prolongado das crianças de poucos meses de idade, o desespero e justa revolta de muitos pais que acompanhavam os seus filhos, fazendo dezenas, até mesmo centenas de quilómetros num país tão pequeno mas com tão grandes distâncias.

Ao longo da minha vida autárquica, que teve início em 2009, muitas foram as vezes que abordei este tema, muitas foram as vezes que reuni com decisores políticos e pseudo decisores: reuni com os deputados António Sales, do PS ( não se deve lembrar ), António Filipe, do PCP, mais recentemente com o deputado Batista Leite. Reuni com o ministro Paulo Macedo, que com muito dinheiro faz milagres (também eu os faria), vários foram os Secretários de Estado...

Escrevi ao Sr. Presidente da República (deve tê-la encaminhado para alguém).

Na Associação Nacional de Municípios os lamentos foram ouvidos mas, com todo o respeito, alguns colegas presidentes de Câmara preocupam-se demasiado com pequenas "operações de cosmética" de efeito imediato mas que em nada contribuem para uma resolução de fundo. Dou como exemplo o projeto Bata Branca, que não assenta no milagre da multiplicação dos pães, perdão, dos médicos e que assim os está a retirar dos hospitais.

A proposta por mim apresentada como solução de fundo para o problema tem tido o reconhecimento de várias entidades, como recentemente aconteceu num colóquio na Associação Nacional de Farmácias, em que a minha intervenção foi interrompida por aplausos de uma assistência composta por especialistas e ex governantes desta área.

Será justo permitirmos que um determinado Instituto de um país europeu entre porta dentro de uma Universidade do Estado e alicie os estudantes de medicina, num curso pago pelos nossos impostos, com aulas gratuitas da língua desse país e no final do curso lhes ofereça trabalho fora de Portugal? Será justo um médico que concluiu a sua formação numa Universidade pública rumar para um qualquer país estrangeiro ou para o privado? Será justo um aluno com média de 18 valores não poder entrar num curso de medicina?

As más políticas ou a ausência das boas matam, matam todos os dias e vão continuar a matar, por falta de atempada assistência, por diagnósticos tardios e por mais razões...

Vamos continuar a assobiar para o lado, tornando-nos cúmplices!!!

( A minha sugestão para resolução do problema continua atual e nunca foi contrariada. Faz " doer", sim faz mas só a alguns, poucos, e não mata mas parece que esses é que mandam.)

* artigo publicado na página de facebook do autor

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