Opinião | 11-01-2024 07:00

Não escrevo sobre política nem que me matem

Vi e ouvi António Costa no congresso do PS e não quis acreditar; em Burgos há uma estátua ao leitor de jornais que revi num jornal onde o colunista cita Mário Quintana: “Os verdadeiros analfabetos são aqueles que aprenderam a ler e não lêem”.

Comecei o ano a reler livros e a passar os olhos pelos jornais que se acumulavam na minha secretária de trabalho. De tanto ler fico de espírito cheio, incapaz de escrever uma linha ou dedicar-me ao trabalho de escrutinar o que se passa à minha volta. A leitura aperfeiçoa a escrita mas é para quem vive de escrever. Não é já o meu caso. Escrevo cada vez menos e leio cada vez mais. Nada me cega mais que a leitura de livros e de artigos de revistas e jornais que me dão de volta aquilo que já esqueci ou de que me lembro só em parte.
Em Burgos, a cidade que tem uma das catedrais mais lindas do mundo, há uma estátua na Plaza Mayor dedicada ao leitor de jornais. Revi a imagem num jornal daqueles que chegam pela Internet e tomei nota da frase do colunista, roubada a Mário Quintana, que me avivou a memória: “Os verdadeiros analfabetos são aqueles que aprenderam a ler e não lêem”.


Não vou voltar a escrever sobre a crise na imprensa, da nacional à local e regional, mas não deixo passar o pretexto para lembrar que a maioria dos jornais locais, regionais, e até alguns nacionais, estão com tiragens e vendas de mil exemplares. Como é evidente há um clamor por aí mas não chega para iluminar o santo padroeiro da imprensa. Quem tiver que morrer já tem o seu destino traçado, como foi o caso recente do jornal Nova Verdade, um jornal da Igreja que chegou aos 91 anos mas não resistiu ao ano velho. Neste meio tempo o senhor Arons de Carvalho, que é uma das personagens mais sinistras dos governos democráticos, escreveu no jornal Público aquilo que nem o Diabo se atreveria, como se ele não fosse um dos maiores responsáveis pelo facto de Portugal ser um dos poucos países da Europa que não tem um plano para ajudar a imprensa.


Não escrevo sobre política nem que me matem. Escrevo só sobre Pedro Nuno Santos e António Costa porque vi, enquanto jantava, umas imagens na televisão que me doeram. António Costa foi enxovalhado enquanto primeiro-ministro ao ponto de ter que se demitir dois anos antes do seu Governo acabar o mandato de maioria absoluta. Foi ontem mesmo que saiu do Governo de Portugal envergonhado e enxovalhado pelo seu chefe de gabinete que num processo que também o envolve foi apanhado com 80 mil euros em dinheiro vivo escondidos no seu gabinete. Nada disto o motivou a ficar no seu cantinho e a deixar os seus sucessores abraçarem-se
e beijarem-se e festejarem nova vida no PS sem o cheiro dele por perto. “Os homens jamais fazem o mal tão completamente e com tanta alegria como quando o fazem a partir de uma convicção religiosa”, disse Pascal, que em vez de “religiosa” podia ter escrito “política”. JAE.

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