Opinião | 01-02-2024 07:00

Renova pode ser alvo de uma acção internacional de repúdio

A Renova é uma marca internacional de prestígio que tem um caso sério com o concelho de Torres Novas e com as instituições da região. Um movimento internacional de repúdio pela apropriação da nascente do Almonda pode ser um caso sério para a marca que faz publicidade no Museu do Louvre, em Paris, mas não oferece um rolo de papel higiénico para uma quermesse de uma festa local.

O MIRANTE distingue-se na região por organizar o Galardão Empresa do Ano e publicar todas os dias e todas as semanas, em plataformas diferentes, notícias e matéria editorial diversificada com e sobre empresas e empresários. Quase sempre a favor uma vez que as empresas, regra geral, são fonte de boas notícias. Há excepções. A Renova é uma delas. O que a sua administração está a fazer na nascente do rio Almonda não vai acabar bem para a empresa. Ninguém com juízo, mesmo que tenha muito dinheiro e seja muito influente, pode proibir a população de uma região de ter acesso à nascente de um rio. Ainda por cima um rio que é o ex-líbris da cidade de Torres Novas.
Infelizmente a Renova tem um historial na região que não abona nada a favor dos seus administradores. Ouvi um dia a um deles que o melhor da nossa região é a auto-estrada para Lisboa. Sei que já nessa altura morava em Cascais, mas que tinha, e ainda terá, um quarto na fábrica, para não fazer o caminho de ida e volta nas alturas em que o trabalho aperta. Conto o episódio, não para lhe chamar forreta e pobretana, por não usar os hotéis da cidade, mas para acentuar o espírito de quem faz a gestão de uma marca que paga milhares em publicidade para ter uma montra no Museu do Louvre, mas depois poupa na dormida. Pode escrever-se que a Renova é património da região e um sucesso empresarial, mas não se nota ao nível da interacção com as instituições locais e regionais. Não conheço associação ou colectividade que seja apoiada pela Renova, sequer com uma taça para um concurso de pesca ou uma caixa de papel higiénico para uma quermesse. A Renova, pelo que sei, é uma empresa fechada à comunidade. Para os seus administradores só a nascente do Almonda é que é importante. E certamente a mão-de-obra de proximidade.
Não me custa admitir que a empresa que aluga montras no Museu do Louvre, e quer proibir a população de uma região de ter acesso à nascente de um rio, que sempre foi pública e deve continuar a ser custe o que custar a quem de direito, não me admira que um dia destes não se seja alvo de um movimento internacional de repúdio e de boicote à marca. Há casos recentes que deitaram abaixo marcas mais prestigiadas. Certamente que não é isso que todos nós queremos, nem tão pouco desejamos, mesmo que saibamos que o que nasce torto tarde ou nunca se endireita.


Portugal, o país do respeitinho, foi abalado até aos alicerces com os anúncios do Ikea que ainda vão dar muito que falar se os políticos não forem todos iguais.
A publicidade promete marcar a campanha eleitoral até ao dia das eleições, principalmente o outdoor que anuncia uma estante onde se podem guardar 75 mil euros, valor em dinheiro encontrado no gabinete de Vítor Escária, ex-chefe de gabinete do primeiro-ministro António Costa.
Em termos públicos e de enxovalho da classe política portuguesa nunca se tinha ido tão longe. Só os episódios com José Sócrates, a viver dos envelopes de dinheiro entregues pelo condutor da sua viatura oficial, João Perna, podem comparar-se à situação vergonhosa vivida por Vítor Escária, seus chefes e subordinados. O facto de António Costa ter continuado como primeiro-ministro ainda justifica mais esta campanha de publicidade sensacionalista. Vítor Escária não terá justificado a existência do dinheiro no seu gabinete e, num país desenvolvido com uma democracia mais vigiada, um chefe de gabinete apanhado com quase 80 mil euros no seu gabinete tinha desaparecido de cena no dia a seguir ao escândalo e o primeiro-ministro tinha ido com ele. António Costa preferiu ignorar que Escária era o seu principal interlocutor no Governo do país e que o comportamento dele pode muito bem ser confundido com o do seu chefe. Nunca uma empresa, ou sequer um dirigente político da oposição política mais extremista, pôs em causa a idoneidade dos políticos portugueses como acaba de fazer o Ikea. Eu não comprava no Ikea mas vou começar a comprar. JAE.

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