Opinião | 02-02-2024 21:13

Eleições

Embora as recentes aparições do Dr. Santos na comunicação social sugestionarem copiosas prescrições de “Xanaxes”, ele é genuína e legitimamente radical, a favor das ideologias de género – um dia voltarei a este assunto -, de nacionalizações, do Estado tentacular mas ineficaz, do aumento de impostos como única medida estratégica (!?) e um profundo apaixonado de novas geringonças.

Graças ao Dr. Costa e ao seu impagável chefe de gabinete, vamos ter eleições legislativas no dia 10 de Março. Como habitual, brotam opiniões de putativos analistas independentes de ar sisudo – insuspeita muleta persuasiva -, as quais, de tão mal-amanhadas, não conseguem camuflar os seus inconfessáveis intentos.
Seria muito mais honesto assumirem-se politicamente, espargindo depois livremente as suas opiniões. Mas não, travestem-se de independentes – auxiliados certamente pela novel e repelente autodeterminação de género -, tentando desse modo convencer um povo incauto e crédulo. São tão previsíveis que a maioria das vezes dá para adivinhar a sequência lógica dessas manhas.
Mas comecemos pelo Chega. É liderado por alguém que aposta tudo na representação, como se estivesse permanentemente num palco, assumindo uma plasticidade comportamental de acordo com as circunstâncias do momento e com a plateia que tem diante de si. Sabe aproveitar cada oportunidade que lhe dão, cada omissão dos adversários. É o único que possui um faro político/ politiqueiro semelhante ao do Dr. Costa. Vai crescer. Recorda-me o Dr. Moita Flores quando passou por Santarém, tão depressa fazia discursos laudatórios a favor do aborto, como depois, no dia seguinte, panegíricos a D. António Francisco na inauguração do seu busto. Para gáudio, claro, de ambas as plateias.
Já o PSD/ AD cometeu um colossal erro estratégico, ao resvalar na casca de banana que o Dr. Costa lhe colocou à frente: recusar diálogo com o Chega. Absurdo e inexplicável. O Chega só esvaziará no dia em que for para o poder. Como todos. Enquanto estiver do lado do protesto, continuará a espigar. A AD vai ter mesmo de falar com o Dr. Ventura.
O PS, por seu lado, colocou logo a sua máquina de comunicação em pleno funcionamento. Quer passar a ideia caricata que o Dr. Santos é competente, que não foi Ministro do Dr. Costa e que nada teve a ver com a TAP, com os caminhos de ferro, com as SCUTS, com o aeroporto, enfim, com nada. Ficcionam o impossível: um homem ponderado e competente.
Embora as recentes aparições do Dr. Santos na comunicação social sugestionarem copiosas prescrições de “Xanaxes”, ele é genuína e legitimamente radical, a favor das ideologias de género – um dia voltarei a este assunto -, de nacionalizações, do Estado tentacular mas ineficaz, do aumento de impostos como única medida estratégica (!?) e um profundo apaixonado de novas geringonças. O PS vai fazer tudo para apresentar um Dr. Santos fleumático e cristãmente ressuscitado, promovendo o medo do Chega, até à exaustão.
A IL insiste em derrotar-se a si própria. Ainda não percebeu que a constante mudança de líder só dificulta o reconhecimento público do seu projecto, diminuindo a sua capacidade de persuasão e de vulgarização social.
O Bloco vai apostar na estratégia gótica Dr.Jekyll & Mr.Hyde: uns dias faz guerra ao PS e noutros tenta seduzi-lo, num equilíbrio difícil para engodo de votantes. Ah, claro e vai apostar também numa guerra à IL, para lhe disputar o eleitorado jovem urbano.
Finalmente, o PC vai desaparecendo ao mesmo tempo que o seu vetusto eleitorado vai perecendo, devido à inelutável finitude da vida. Sem renovação do discurso e possuindo uma coerência política e comportamental que o Bloco não tem, o PC tem a vida muito mais difícil: é que não se vivem tempos propícios para quem aposte em coerências de vida.
Por mim é tempo de mudar e apostar num outro Portugal, onde as escolas e a saúde funcionem e onde os filhos desta Nação não tenham de emigrar – já agora de TGV…- para poderem ser felizes.
P.N.Pimenta Braz

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