Opinião | 04-04-2024 07:00

As “milícias” e as “falsas razões ambientais” de Oliveira e Sousa

A coligação AD que ganhou as eleições legislativas, e que acaba de formar Governo, escolheu como cabeça-de-lista por Santarém um homem conservador até aos cabelos, um senhor monárquico de coração e estilo, um homem que nos últimos anos governou o CNEMA sem alma, sem autoridade, sem ter mudado uma palha ao desastre que é para Santarém ter um espaço tão mal aproveitado como o CNEMA.

A coligação AD que ganhou as eleições legislativas, e que acaba de formar Governo, escolheu como cabeça-de-lista por Santarém um homem conservador até aos cabelos, um senhor monárquico de coração e estilo, um homem que nos últimos anos governou o CNEMA sem alma, sem autoridade, sem ter mudado uma palha ao desastre que é para Santarém ter um espaço como o CNEMA que serve uma vez por ano para a realização da Feira do Ribatejo.
Numa altura em que Portugal está cada vez mais na cauda da Europa em termos de política ambiental, de casos de corrupção, greves que podem tornar o país ingovernável, Oliveira e Sousa fez campanha política falando aos gritos em “milícias nos campos” e “falsas razões climáticas”. Só uma região pobre de gente com massa cinzenta escolhia Oliveira e Sousa para nos representar na casa da democracia que é o Parlamento. Mas o PSD não se ficou pela pobreza das escolhas nas listas. João Moura vai voltar ao Parlamento para continuar, aos 52 anos, a viver do orçamento de Estado numa cadeira dourada que lhe permite somar contactos e ter tempo para fazer lóbi para os negócios da família e dos amigos. João Moura leva 52 anos de boa vida, que se saiba nunca trabalhou que não fosse a fazer política, os seus dentes de leite da política ainda não caíram, e, aparentemente, vai morrer com eles. O seu grande objectivo de vida é aprender a jogar golfe, ter uma casa rica com muitos cavalos no largo da Feira de São Martinho, viver e mostrar que tem uma vida endinheirada e que poderá ser o primeiro homem do mundo a levar para a cova a sua vaidade e arrogância. Para sermos justos com João Moura devemos reconhecer que em bons tempos defendeu com unhas e dentes um aeroporto civil em Tancos. Mas a sua importância política nunca lhe granjeou uma única solidariedade, nem dentro do seu partido nem fora dele. Um cobrador de imposto é como alguns amigos do próprio PSD gostam de lhe chamar embora todos saibamos que ele vive é dos impostos que manda cobrar na sua missão de deputado.
João Moura é tão importante politicamente para a região junto dos poderes de Lisboa que teve a coragem de se solidarizar com um antigo deputado do PS, seu conterrâneo e amigo, que foi obrigado a afastar-se da política por suspeitas de corrupção; se lhe dessem importância alguém do PSD tinha encomendado uma forca para lhe oferecer. Como o seu estatuto é o do pobre diabo endinheirado, ninguém dá por ele e quem paga é a região, os empresários e as instituições que não têm quem as defenda.
Oliveira e Sousa recuperou com o discurso das “milícias” e as “falsas razões ambientais” o tempo da Moca de Rio Maior. Com uma diferença: a Moca tornou-se popular e ainda hoje existe como recordação para levar da cidade do desporto. É quase certo que o discurso de Oliveira e Sousa, e os trabalhos dos seus colegas deputados no próximo Parlamento, prometem ser a tábua de cima do caixão que vai levar os agricultores, os policias, os professores, os médicos, e tantos outros portugueses a fugirem para o estrangeiro, ou para o litoral do país, que é onde ainda se consegue viver da brisa do mar e manter a esperança de que nunca ficaremos em terra com esta gente a governar os nossos destinos.
Poupo neste artigo a deputada Isaura Morais, que foi a terceira eleita pelo partido, não por achar que faz a diferença política no conjunto dos três deputados, mas por lhe dar o direito à dúvida, embora já comece a ser tarde para a ouvir dar um gemido, um gritinho político em defesa da região sem ser naqueles artigos sem conteúdo que vai publicando só para se ver na fotografia. O Ribatejo ainda é uma terra de marialvas e pobretanas que pegam toiros, mas o tempo do Nuno Salvação Barreto remonta ao ano de 1950 e o António Melo Correia já cantou “o selim e a mulher” nos anos sessenta. Não está na altura do PSD mudar a agulha e deitar o olho aos jovens que João Moura e Oliveira e Sousa acham que fazem bem em emigrar?

Nota: Num artigo recente as minhas previsões de que o PSD ia desaparecer bateram na trave. Quem perdeu quase metade dos votos em relação às eleições anteriores foi o PS. Com a AD o PSD teve um ligeiro aumento, mas com a eleição de três deputados o Chega deu um bigode ao PS e ao PSD. Só não tira conclusões quem é burro, monárquico ou anda na política para se servir. JAE.

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