Opinião | 18-04-2024 07:00

Santarém mete Óbidos a um canto em termos de património e importância histórica

Santarém mete Óbidos a um canto em termos de história, de património e de interesse turístico para quem viaja do Brasil ou de outro qualquer país do mundo. A verdade é que Óbidos teve autarcas visionários que fizeram de uma muralha e de um pequeníssimo centro histórico uma verdadeira atracção turística.

O Museu Passos Canavarro é uma jóia da coroa de Santarém. Revisitei o museu com alguns amigos que estiveram na semana passada em Santarém, para o lançamento da biografia de Estácio de Sá e de Musa Praguejadora de Ana Miranda, e mesmo conhecendo o espaço voltei a acender a fascinação pelo lugar de cultura e de memórias que é a antiga casa de Passos Manuel, “um parlamentar brilhante e um democrata ardente”, como se pode ler na sua biografia. A casa de Passos Manuel ficou imortalizada na História também por ter sido durante alguns dias a casa de Almeida Garret, no final de uma viagem especial pelo Ribatejo, que está na origem do livro “Viagens na Minha Terra”. Pedro Canavarro juntou as heranças com as recordações de uma longa vida de político, professor, diplomata e amigo de escritores, pintores e homens de cultura, para abrir ao público um espaço que é um dos melhores cartões de visita da cidade.
Já disse milhares de vezes que considero Óbidos um lugar mágico com uma afluência de turistas que me desafia a imaginação. Sempre que posso desvio amigos e conhecidos para Santarém, e afasto-os, nem que seja por um dia, dos roteiros no litoral para os roteiros do centro que inclui Tomar e a linha do Tejo até Abrantes. Quando posso mostro-lhes por dentro uma capela da Chamusca com azulejos do século XVII, que desta vez entusiasmou tanto um dos meus amigos que prometeu escrever um livro sobre a capela e o que ela representa. Sempre ouço a mesma conversa quando visitamos o castelo de Almourol, Constância, a Igreja do Senhor do Bonfim na Chamusca, que está desprezada, como se a Chamusca fosse uma terra de pastores pobres, o castelo de Torres Novas e por aí fora. E o que é que eles dizem: que lindo Joaquim, e depois começam a contar aquilo que todos nós sabemos que não inclui a sopa da pedra, a visita às Portas do Sol, a tigelada de Abrantes e o passeio nas margens iluminadas do Nabão, e muito menos a visita a um castelo no meio de um rio. A verdade é que é difícil contrariar por muito tempo a vontade dos amigos que depois não querem regressar a casa sem passar pela vergonha de dizerem no regresso a casa que não tiveram tempo de visitar Óbidos, Mafra e Nazaré.
Desta vez a viagem com o meu grupo de amigos era mais especial e nem falámos em Óbidos, como seria normal, porque fomos até ao Porto dormir duas noites onde também havia lançamento de livro e homenagem à grande escritora Ana Miranda de quem publicamos por estes dias “Musa Praguejadora - A vida de Gregório de Matos”, que é um livro fascinante sobre uma figura única da cultura luso brasileira do século XVII. Aproveito o pretexto para deixar aqui testemunho daquilo que vou dizendo há décadas: Santarém mete Óbidos a um canto em termos de história, de património e de interesse turístico para quem viaja do Brasil ou de outro qualquer país do mundo. A verdade é que Óbidos teve autarcas visionários que fizeram de uma muralha e de um pequeníssimo centro histórico uma verdadeira atracção turística. E Santarém falhou até agora todos os esforços que, verdade seja escrita, alguns ainda tentaram mas falharam redondamente. Ricardo Gonçalves e o seu executivo já deram um passo significativo mantendo os monumentos abertos fora de horas, todos os dias da semana, mas vai deixar para o seu sucessor muito do que está prometido há décadas. E nada contra Óbidos. Escrevo mais para valorizar Óbidos, e o que a vila representa para o turismo português, do que para desvalorizar quem não conseguiu fazer por Santarém o que parece tão fácil, pelo seu património e pela economia da cidade e da região. JAE.

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