Opinião | 12-06-2024 21:00

Geminações, empalamentos, cataratas e a recuperação do turismo municipal de massas

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Imaginativo Serafim das Neves

Imaginativo Serafim das Neves
O presidente da Câmara de Tomar, o eternamente sorridente Hugo Cristóvão, tem alma de arqueólogo. Só assim se compreende ter ido à Roménia desenterrar uma geminação, chamemos-lhe assim, com a cidade de Târgoviste, que se escreve com uma espécie de cedilha no ésse, coisa que o meu computador se recusa a colocar.
Târgoviste é uma velha conhecida das geminações da região. Há uns dezoito anos, quando ainda existiam governos civis nos distritos portugueses, um tal Paulo Fonseca, que foi governador civil de Santarém e presidente da Câmara de Ourém, antes de ser empresário insolvente, foi lá fazer uma digressão turística que culminou com a assinatura de um acordo com aquele município, e a promessa da inclusão do mesmo, no Festival de Gastronomia de Santarém.
Não sei se os planos se concretizaram mas, sendo a Roménia identificada com o Hollywoodesco Drácula, que tem um castelo em Bran, a cem quilómetros de Târgoviste, e sendo aconselháveis réstias de alhos para evitar mordeduras vampirescas no pescoço, imagino que a gastronomia romena tenha agradado aos portugueses que se pelam pela carne temperada em vinha de alhos.
Aproveito para avisar o presidente de Tomar para não ir na cantiga de assinar acordos de defesa de certas tradições romenas, nomeadamente as relativas ao tal Drácula, que na verdade era Vlad III, o Empalador, que tinha por hábito mandar empalar os inimigos, ainda em vida, e colocá-los naquele preparo à volta do castelo, para dissuadir ataques.
Para além das geminações com Târgoviste, havia outras geminações com outras cidades romenas, nomeadamente Pucioasa ou Moreni, da mesma região, que se chama Dâmbovita, com a tal cedilhazinha no tê, até porque era tudo muito barato por aquelas bandas e levar autocarros de folcloristas, futebolistas, empresários e funcionários municipais a turistar, digamos assim, por aquelas bandas, com estadia, refeições e folclore, ficava ao preço da uva mijona.
Mas os nossos municípios não tinham apenas geminações com cidades romenas. Havia outros destinos turísticos na lista. Lembro-me quem em 2010, a câmara de Santarém tinha, para além da clássica geminação com a famosa Târgoviste, geminações com municípios de Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moldávia, Bulgária, Marrocos, Angola, Espanha, Bélgica, França, Suécia, Reino Unido e Brasil.
Com o Brasil então, eram umas dez geminações, porque havia na câmara municipal e nas associações e outras agremiações, uma enorme apetência ou apetite, sei lá, de estabelecer protocolos de cooperação por aqueles lados, como já não se via desde o tempo do Pedro Álvares Cabral.
Se a moda de desenterrar protocolos, iniciada agora pelo Presidente Cristóvão, que não é Colombo, mas tem alma de viajante, se propagar, as agências de viagens não vão ter mãos a medir.
Para já ainda ninguém voltou a falar no envio de velhotes a Cuba para fazer operações às cataratas, como acontecia quando era presidente da câmara de Santarém o inspector reformado, Moita Flores, mas é melhor eu estar calado para não dar ideias a outros autarcas com alma de arqueólogos
Saudações turisticamente geminadas
Manuel Serra d’Aire

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