Boas Festas para os CTT - Correios de Portugal
Os CTT - Correios de Portugal prestam um serviço importante na sociedade portuguesa. Embora sejam hoje uma empresa privada, cumprem um serviço público que os obriga a qualidade de serviço e bom atendimento, assim como ao cumprimento de prazos de entregas.
O autor destas linhas recebeu no dia 30 de Dezembro na sua caixa do correio de uma casa em Lisboa um aviso para levantar uma encomenda na estação dos CTT na rua Pascoal de Melo. No dia 2 de Janeiro, ao balcão da referida estação, fui informado que só podia levantar a encomenda às 11 horas desse dia. Espantado pela informação perguntei à funcionária se agora havia horas para levantar encomendas. Neste meio tempo mandou-me ler o postal e as indicações. De facto estava escrito à mão que a encomenda só podia ser levantada 24 horas depois de recebimento do aviso e a partir das 11 horas. Tinham passado 48 horas, mas pelo meio houve um feriado. Estupefacto olhei para o relógio e eram 10h49. Depois de ter dado dois passos atrás, voltei a aproximar-me e perguntei à funcionária se os 11 minutos que faltavam para as 11 horas eram impeditivos de me entregar a encomenda. Respondeu que tinha que esperar pela hora. Como tinha o carro mal-estacionado, uma vez que a Rua Pascoal de Melo não é a rua 25 de Abril em Benavente, não tive outro remédio que aceitar as regras.
Este caso não envolve nenhuma instituição do Estado nem os mangas de alpaca daqueles que trabalham no Ministério da Agricultura e que não têm “ponta de corno” para fazer, a não ser tratarem da sua vidinha nas empresas que gerem em nome das esposas e dos filhos; também não é um caso de urgência de hospital onde se morre nas macas, ou de um tribunal administrativo onde o Estado se defende com unhas e dentes atrás de uma lei que permite que uma contenda possa demorar 20 anos; também não é sobre a companhia de Seguros Vitória, que já me tratou abaixo de cão; Não, não é um pontapé no cu que me estão a dar há muito mais de um ano nos serviços do IMT por falta de pessoal, segundo informam. Resumindo: são os CTT, a empresa com quem mais trabalhamos no nosso dia-a-dia, a empresa parceira da empresa onde trabalho e sou administrador, que me manda um carteiro a casa para deixar um aviso para levantar uma encomenda e que depois me impõe dias e horários que tenho que cumprir ao segundo. Tenho nos CTT os maiores exemplos da minha luta como gestor ao longo destes últimos 40 anos. A minha medalha de mérito empresarial (de lata, apesar de tudo) foi-me dada numa reunião em que consegui juntar a uma mesa de trabalho uma dúzia de quadros importantes da empresa numa altura em que O MIRANTE era um cliente semanal de 30 mil pacotes postais, porventura o maior cliente português. Conheço, e admiro como pessoa, um dos actuais administradores dos CTT, mas não posso ligar-lhe ou escrever-lhe a contar este caso porque só de pensar nisso sinto-me ridículo. Certamente que a minha indignação vai sair por um qualquer fumeiro e perder-se no nevoeiro. Mas ninguém pode acusar-me de começar o ano com paninhos quentes mesmo tratando de assuntos que fazem doer e que mexem com a nossa vida cheia de compromissos, muitas vezes na defesa da causa comum.
O ano de 2026 começou com a notícia de que a Dinamarca é o primeiro país do mundo a encerrar o serviço tradicional de entrega de cartas, devido à digitalização e queda drástica no uso de correspondência física, com o serviço estatal PostNord focado agora exclusivamente em encomendas e e-commerce, enquanto o correio físico dependerá de empresas especializadas. Em Portugal parece que ainda estamos longe desta realidade, mas lá chegaremos. Entretanto dou nota da chegada ao jornal, por correio normal, de uma carta de uma assinante com o nome de Sandra, a desejar Boas Festas, e com a mesma letra a escrever a frase: "o vosso trabalho alegra a minha vida". Um cartão simples, com uma frase curta escrita à mão, quando hoje a maioria de nós envia mensagens de Boas Festas numa simples imagem pelo computador, ou telemóvel, muitas vezes com a ajuda da IA, julgando que estamos a fazer uma grande figura.
Longa vida aos CTT - Correios de Portugal e, já agora, aos seus funcionários que ainda percebem que prestam um serviço a clientes que muitas vezes têm que faltar ao trabalho para ir aos balcões da empresa, quando não é o caso de terem que alugar um táxi, de terem que pagar quem os substitua em certos compromissos, entre outros casos. JAE.


