Opinião | 14-01-2026 21:00

2025: mesquitas imaginárias, as atracções da Chamusca, dinossauros sem poleiro e outros acontecimentos

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Imparável Manuel Serra d’Aire

Imparável Manuel Serra d’Aire
Em tempo de balanço com a chegada ao fim do ano da graça de 2025, não posso deixar de debitar a minha lista de acontecimentos do ano nesta região ribatejana de toiros, cavalos e outros animalejos. A liberdade religiosa neste país republicano e laico ganhou novo significado com a manifestação realizada no Dia de Portugal em Samora Correia contra a construção de uma hipotética mesquita, numa folclórica cruzada quixotesca que me divertiu pelo anedótico do episódio. E ver um candidato do PS às autárquicas envolvido nesse cortejo carnavalesco, e as desculpas esfarrapadas que depois debitou quando foi apertado pelo partido, constituiu a cereja no topo do bolo. O resultado que a personagem viria a obter nas eleições foi mais um sinal de que Deus existe e não dorme.
A quem Deus também não deu uma mãozinha foi aos comunistas do concelho de Benavente, que perderam a última câmara ‘vermelha’ que existia no Ribatejo para uma política social-democrata com ares de Barbie, a conhecida boneca que é uma das prendas mais populares entre as meninas. Mas atenção: a senhora já anunciou que não está para brincadeiras.
A saga “Parque Jurássico” teve novo capítulo em 2025, embora já com alguma perda de fulgor, o que é normal nas sequelas que se arrastam. Os actores já não revelam o nível de outros tempos e de outros protagonistas, nem os enredos são tão cativantes. Mas ver exemplares como Dionísio Mendes em Coruche e Francisco Madelino em Salvaterra de Magos voltarem a tentar a sua sorte para chegarem às presidências dos respectivos municípios não deixou de despertar atenção e suscitar curiosidade quanto ao desfecho. E o mesmo se passou com a candidatura do ex-autarca de Almeirim, Pedro Ribeiro, em Santarém. A conclusão óbvia é que, para a maioria dos espectadores, os filmes tiveram final feliz.
Em Santarém, o ano acabou com mais um anúncio impactante (como se diz agora), envolvendo a estação ferroviária, tema recorrente do debate político nas últimas décadas. Parece que agora há a ideia de mudar a paragem dos comboios para perto do novo Hospital da Luz. Depois da variante ferroviária e da nova estação que nunca saíram do papel, da eliminação das passagens de nível que continua por fazer, os escalabitanos já correram a comprar os foguetes para celebrar a inauguração da nova estação - assim a longevidade lhes permita chegar à segunda metade deste século e, já agora, ver também os aviões a aterrarem em Benavente e o TGV a rasgar Portugal.
Prosseguiu com indesmentível denodo a saga de remodelação das piscinas municipais da Chamusca, obra que já dura desde 2019 e ninguém sabe quando acabará. O tempo decorrido já dava para construir duas ou três piscinas de raiz. À atenção do novo presidente da câmara: não estrague o que vem de trás, pois piscinas construídas há muitas; mas piscinas em remodelação eternamente são uma raridade. Há que promover esse património e transformá-lo em atracção turística, ombreando com os muito concorridos engarrafamentos de trânsito na ponte da Chamusca, indubitavelmente os maiores do Ribatejo.
Um abraço congelado do
Serafim das Neves

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