Opinião | 21-01-2026 21:00

A trepada do Serrano, a chacina dos pintainhos e os comandos de televisão para cães

Emails do outro mundo

Generoso Serafim das Neves

Generoso Serafim das Neves
Andamos a matar vespas asiáticas, aqui no Ribatejo, ‘há muito, muito tempo’, como diz o José Cid, na canção Vinte Anos. Chacinamo-las aos milhares e elas resistem. No ano passado, só no concelho de Santarém, foram eliminados 300 ninhos, que albergavam - contas por alto - mais de quatro milhões delas. Se houvesse funerais de vespas asiáticas teriam sido mais de 11 mil por dia. Uma chacina.
Também eutanasiamos pintainhos, não para comer, mas por suspeitarmos que estão com gripe. Um dia destes, em Paialvo, terra de aviários, foram mais de meio milhão, de uma só vez. Não há imagens, porque raramente há imagens destas chacinas, apesar de tantos amigos de animais com telemóvel, que há por aí.
Se fossem gatos, cães ou ratinhos de laboratório, eram um clamor de protestos que se ouviria nos confins do Nepal, digamos assim. O que me leva a sugerir que as associações e partidos de defesa de animais, se devem começar a organizar por especialidades. A dos protectores da vespa velutina, himenópteros e afins; a dos amigos dos pintainhos, a dos defensores das osgas e lagartixas, por exemplo.
Já é tempo de assumirem, de uma vez por todas, que, tal como escreve George Orwell, em a Quinta dos Animais, “todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que outros”. É verdade que, algumas franjas do activismo animal, tentam aumentar a lista dos seus protegidos, seja com toiros bravos ou com cavalos, mas os resultados são parcos.
O livro é uma sátira política sobre a corrupção do poder, que pretende mostrar que a igualdade prometida não é para todos, mas sim para os que detêm o comando. E nos tempos actuais, quem assumiu o comando, pelo menos o comando da televisão, foram os cães e gatos de companhia, que se sentam no mesmo sofá dos donos.
Eu, que uso o apelido Serra d’Aire, assumo aqui que não sou tão montesino como o novo presidente da Associação Empresarial Nersant, que se chama Rui Serrano. Homem habituado a trepar, não no sentido que os brasileiros dão ao trepar, ele lá vai trepando… paulatinamente. Nunca tinha ganho o prémio da montanha, mas nunca desistiu. Persistiu, persistiu e conseguiu. Bravo, Ambrósio, terão exclamado alguns, ao lerem a notícia.
Serrano foi vice-presidente da câmara de Abrantes; foi vice-presidente da câmara de Tomar; foi vice-presidente da Nersant e atingiu agora o cume. Ou o pico, como também se diz. É Presidente, sem saber ler nem escrever, como diria a minha avó materna, que tinha mais ironia na unha do dedo mindinho do que eu na minha base de dados toda.
E se alguém tentar ver aqui uma metáfora das eleições para Presidente da República de 18 de Janeiro, está a ver mal. Os catorze candidatos que vão aparecer no boletim de voto, tanto os onze a sério como os três que lá vão aparecer, mas que os eleitores devem fingir que não estão lá, são todos sábios. E todos capazes de ser tão bons ou melhores que o Serrano, se por acaso vierem a ser Presidentes… da Nersant, claro!
Um abraço presidenciável
Manuel Serra d’Aire

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