Opinião | 21-01-2026 14:43

Uma travessia pelo Ribatejo em 1669

Uma travessia pelo Ribatejo em 1669
Vista de Vialonga por Pier Maria Baldi.

É preciso remontar ao Império Romano para constatarmos que na actualidade continuamos a viver nas mesmas povoações de então. Os romanos estabeleciam pequenos acantonamentos militares ou fortificações em paliçada, assentando arraiais, de 15 em 15 km, a distância que um cavalo conseguia percorrer durante um dia sem se cansar. Estamos a viver na mesma estrada romana de há dois mil anos atrás.

Na segunda quinzena de Fevereiro de 1669, Cosme de Médicis, III Grão-Duque da Toscânia, percorre parte do Ribatejo e fica deslumbrado com as paisagens e as localidades que foi encontrando pelo caminho. Consigo trazia o artista italiano, Pier Maria Baldi, que pintou as famosas aguarelas que chegaram ao nosso século XXI e que retratam, com muito detalhe, esta nossa província. Passou por Tomar, Golegã, Santarém, Cartaxo, Azambuja, Vila Franca de Xira, e Vila Longa (a actual Vialonga, às portas de Lisboa). É interessante ler estas memórias e consultar estas aguarelas. Nelas, ainda em parte, nos espelhamos.

É preciso remontar ao Império Romano para constatarmos que na actualidade continuamos a viver nas mesmas povoações de então. Os romanos estabeleciam pequenos acantonamentos militares ou fortificações em paliçada, assentando arraiais, de 15 em 15 km, a distância que um cavalo conseguia percorrer durante um dia sem se cansar. Estamos a viver na mesma estrada romana de há dois mil anos atrás. No troço que fica entre o Cartaxo, por exemplo, e Lisboa, todas as principais localidades se situam a essa mesma distância. Se não vejamos: Cartaxo, Azambuja, Carregado, Vila Franca de Xira, Lisboa, encontram-se todas separadas por cerca de 3,5 léguas.

Seria didáctico e interessante criar-se uma rota das estradas romanas de Portugal. Existem, como todos sabemos, as rotas de Fátima, de Santiago, dos Templários e muitas outras. O nosso distrito poderia muito ganhar em explorar histórica e turisticamente este legado romano. Todos poderíamos crescer como cidadãos se fossem criados pequenos núcleos que nos contassem esta história.

Quando o património histórico-cultural se associa ao turismo, várias dinâmicas se criam e dão origem a negócios, merchandising, conseguindo, dar a conhecer a todos os portugueses, e a quem nos visita, a nossa riquíssima história.

Em 2013, foi lançado o livro de Jorge Estrela (natural dos Açores, nascido em 1944 e falecido em 2015), Viagem de Cosme III de Médicis em Portugal no ano de 1669, em que o seu autor trabalhou contemporaneamente as antigas aguarelas deste percurso, as contextualizou, as relembrou e divulgou.

Ficou-nos assim registada a apreciação e análise deste pedaço da então Estremadura:

“Era ameníssimo o aspecto dos campos, revestidos ao longo do caminho de jardins e casas de campo que nos davam a impressão de uma só cidade que se estendesse ininterruptamente até Vila Longa, pequeno aglomerado de quintas mais do que moradias”.

Quase trezentos e sessenta anos passaram e tanto do que nos é narrado, permanece.

O Ribatejo possui uma enorme riqueza histórico-cultural e muito está ainda por dar a conhecer, tanto nas pequenas localidades, lugares, aldeias, como em vilas e cidades. Saibamos tirar partido deste passado para o conseguir projectar para o futuro.

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