Opinião | 31-01-2026 18:00

A Inteligência Artificial para pessoas comuns

A Inteligência Artificial para pessoas comuns

A AI está cada vez mais presente no nosso quotidiano e pode ser usada por qualquer pessoa, independentemente da profissão ou do nível de escolaridade.

Provavelmente, já ouviu falar de Inteligência Artificial (AI), ChatGPT ou outras palavras caras e pensou: “Não, isto não é para mim. É coisa de engenheiros, filmes de ficção científica ou então para os miúdos”. Ou seja, o chamado bicho de 7 cabeças.

Efetivamente, durante muitos anos, a AI pareceu um tema distante, reservado a grandes empresas, universidades ou especialistas em informática. Falava-se de tecnologia complicada, programas difíceis e linguagem técnica que afastava a maioria das pessoas. Hoje, essa realidade mudou. A AI está cada vez mais presente no nosso quotidiano e pode ser usada por qualquer pessoa, independentemente da profissão ou do nível de escolaridade.

Na prática, utilizar AI é tão simples como escrever uma pergunta em linguagem normal, tal como se fala com outra pessoa. Essas perguntas são conhecidas como “prompts”. Não é preciso escrever corretamente, nem usar termos técnicos. Basta explicar a situação e dizer claramente o que se pretende. Qualquer pessoa, em qualquer profissão, em utilizações profissionais, lúdicas, criativas ou práticas, pode usar e tirar partido da AI.

Vejamos alguns exemplos: dia a dia, cozinheiros, pedreiros, costureiras, jardineiros.

No dia a dia de quem gere uma casa e uma família, a AI pode ser uma ajuda imediata. Imagine alguém que chega a casa ao final do dia, abre o frigorífico e encontra apenas batatas, frango, tomate, alho, cenouras, massa e azeite. Em vez de repetir sempre as mesmas refeições, pode escrever:
“Tenho no frigorífico batatas, frango, tomate, alho, cenouras, massa e azeite. Sugere 5 receitas simples com estes ingredientes. Depois, indica 5 vídeos do YouTube, em português, onde essas receitas são preparadas.”
Em poucos segundos surgem ideias práticas e vídeos explicativos, ajudando a poupar tempo, dinheiro e a evitar desperdícios.

Também na restauração a Inteligência Artificial começa a ser vista como uma ferramenta de apoio. Um cozinheiro de um restaurante tradicional pode usá-la para variar a ementa sem aumentar custos. Ao escrever:
“Sou cozinheiro num restaurante simples. Cria 5 pratos económicos e saborosos com frango e legumes, inspirados na cozinha portuguesa. Sugere também nomes apelativos para colocar no menu”,
recebe sugestões ajustadas à realidade de um restaurante local e não de uma cozinha sofisticada.

Na construção civil, onde o trabalho é exigente e os erros podem sair caros, a Inteligência Artificial pode servir para esclarecer dúvidas rápidas. Um pedreiro pode escrever:
“Sou pedreiro. Vou assentar 30 m² de tijoleira. Explica de forma simples quantos sacos de cimento e areia posso precisar e dá dicas práticas para evitar erros durante o trabalho. Mostra alguns vídeos do YouTube com processo semelhante.”
A resposta não substitui a experiência profissional, mas ajuda a confirmar contas, reduzir desperdício e melhorar o planeamento da obra.

Na costura, profissão tradicional muitas vezes aprendida com a prática e passada de geração em geração, a AI pode ser um apoio à aprendizagem. Uma costureira pode escrever:
“Sou aprendiz de costureira. Quero fazer um vestido simples de verão para uma mulher adulta. Sugere um modelo fácil, indica a quantidade de tecido necessária e recomenda 5 vídeos do YouTube com o passo a passo.”
Assim, consegue ideias, orientações básicas e acesso a aprendizagem visual sem custos adicionais.

Também na jardinagem, seja em jardins particulares ou espaços públicos, a Inteligência Artificial pode ser útil. Um jardineiro ou cuidador de jardins pode escrever:
“Sou jardineiro. Tenho um jardim pequeno com sol direto durante a maior parte do dia. Sugere 5 plantas fáceis de manter, explica como cuidar delas e indica 5 vídeos do YouTube com dicas práticas.”
A resposta ajuda a escolher melhor as plantas, a evitar erros comuns e a manter os espaços verdes em boas condições.

O funcionamento da AI depende sobretudo da forma como se faz a pergunta. Quanto mais clara for a explicação da situação, melhor será a resposta. Não é necessário saber informática nem programação. Quem sabe escrever uma mensagem no telemóvel já tem conhecimentos suficientes para começar a usar esta tecnologia.

Esta utilização da AI não veio para substituir pessoas nem profissões. Pelo contrário, pode ser uma ferramenta de apoio que facilita tarefas, esclarece dúvidas e poupa tempo no dia a dia. Para muitas pessoas, representa uma forma simples de aceder a informação útil, sem custos e sem complicações.

Nota importante: apesar das vantagens, é fundamental ter consciência de que a AI fornece informação geral e exemplos práticos, mas não substitui profissionais qualificados. Em áreas sensíveis como aconselhamento médico, medicação, saúde mental, decisões legais ou orientação espiritual, a informação fornecida pela AI deve ser encarada apenas como apoio e nunca como diagnóstico, prescrição ou verdade absoluta. A Inteligência Artificial pode cometer erros ou interpretar mal um contexto. Sempre que estejam em causa a saúde, a segurança ou decisões importantes, deve-se procurar um médico, um técnico especializado ou uma autoridade competente.

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