Uma rota das Invasões Francesas para o distrito de Santarém
O Ribatejo, ligando-se ao Oeste, poderia criar uma Rota das Invasões Francesas, ou uma Rota Welllington. No Cartaxo este militar britânico teve quartel-general durante cerca de cinco meses, entre 1810 e 1811.
O distrito de Santarém tem, na zona do bairro, muito em comum com o actual Oeste, embora entre as duas regiões exista uma suave transição geográfica e cultural. Os territórios do Montejunto, de Torres Vedras, Óbidos e Caldas da Rainha, fazem já parte de uma outra realidade paisagística e histórico-cultural.
Nos tempos da Guerra Peninsular, de 1807 a 1814, o deslocar de populações fugindo aos franceses foi de enorme impacto. Chegados às Linhas de Torres, as tropas de Massena esbarraram com uma barreira intransponível, preparada em segredo pelas tropas luso-britânicas. Em torno de Torres Vedras existe há anos um turismo cultural que arrasta visitantes para ver o seu museu municipal, parte destas fortificações e realizam-se até representações e simulações do que foram as batalhas de há pouco mais de dois séculos atrás, seis ou sete gerações de uma família.
O Ribatejo, ligando-se ao Oeste, poderia criar uma Rota das Invasões Francesas, ou uma Rota Welllington. No Cartaxo este militar britânico teve quartel-general durante cerca de cinco meses, entre 1810 e 1811. As suas tropas estiveram aboletadas nas casas da antiga aldeia do Cartaxo. Desenhando um circuito que colocasse militares como Junot, Soult, Massena, Loison, Wellington e tantos outros poderíamos fazer um mapeamento desta vasta zona e explorar histórias antigas, lendas e factos históricos descritos em memórias, diários e livros de História.
Povoações como o Cartaxo, que foram construídas ao longo de uma estrada, que ora nos conduz a Santarém, ora nos leva a Lisboa e onde, se recuarmos poucas gerações quase ninguém era natural dali, assistiram à passagem de Junot e das suas tropas até à capital.
No seio do seu pequeno centro histórico encontramos, na Rua Direita, actualmente a Rua Mouzinho de Albuquerque - topónimo atribuído nos finais do século XIX ou nos inícios do século XX - a casa que serviu de quartel-general e de morada, para Arthur Wellesley (1769-1852), o futuro Duque de Wellington, que ali viveu durante cerca de cinco meses, conforme atesta uma placa mandada colocar na sua fachada pela Comissão de História Militar em 1931.
Wellington, nome que ficou para a História e que derrotou definitivamente as tropas de Napoleão, em Waterloo, na Bélgica, em 1815 - que viria a receber o título de Duque e a ser Primeiro-Ministro de Inglaterra por duas vezes- está indelevelmente ligado à História de Portugal e à da nossa região.
Desfrutando e divulgando esta memória do nosso passado histórico-cultural poderia ser gizado um roteiro turístico que narrasse e potenciasse todo este período da nossa história colectiva. Muitos outros povos europeus o fazem e, em Portugal, o mesmo sucede no Oeste, ou em Almeida, por exemplo.
Este roteiro não teria de ser exclusivamente assente na história militar, mas abrir-se a muitas outras vertentes pedagógicas e didácticas, que envolvessem câmaras municipais e os seus pelouros ligados à cultura e ao turismo, os professores dos diferentes graus de ensino, as escolas, voluntários e os apaixonados pela nossa história. A partir desta rota e do aproximar de territórios vizinhos estabelecer-se-iam parcerias, novas dinâmicas e projectos. “Se o sonho comanda a Vida”, porque não começarmos a esboçar e desenhar algo assim?


