Opinião | 07-02-2026 10:00

O que é, afinal, a Proteção Civil?

O que é, afinal, a Proteção Civil?

Não nos podemos desculpar com a falta de conhecimento. Sempre lidamos com eventos extremos: incêndios, cheias, apagões, acidentes. Mesmo que não lidassemos, basta olhar para o mundo para perceber que, mais cedo ou mais tarde, algo semelhante nos afetaria. A primeira grande solução é reconhecer uma verdade simples: a Proteção Civil somos todos nós.

Três semanas depois da tragédia, há ainda pessoas sem água, sem luz, sem teto e em alguns casos, até sem comida. Perante este cenário, impõe-se a pergunta: o que é, afinal, a Proteção Civil?
Será o comandante que se ausenta do país quando o desastre era previsível?
Será o ministro que comunica por vídeos nas redes sociais?
A ministra que se declara invisível?
O governante que afirma não precisarmos de ajuda da União Europeia?
Ou aquele que convoca os militares para a fotografia, mas não os coloca no terreno?
Será um primeiro-ministro que garante que “está tudo bem” e que o problema foi, talvez, a comunicação?
Um Presidente que vai visitar o Papa, ou o vizinho do lado e lança farpas para todos ?
Ou será ainda mais uma comissão criada;mais uma;onde os seus membros auferem ordenados milionários (justos e merecidos, por certo), para fazer exatamente aquilo que ministérios e câmaras municipais já estão mandatados para fazer?
Sinceramente, não consigo perceber. Tudo isto me ultrapassa. Não encontro a
palavra “proteção” em nenhuma destas entidades nem em nenhuma destas ações.
Mas poderia ter sido de outra forma?
Sem dúvida. O que nos aconteceu, não poderia ter sido evitado, diga-se. Mas o dia seguinte poderia e deveria ter sido melhor gerido. Mais preparação, mais organização, mais solidariedade, mais profissionalismo.

Não nos podemos desculpar com a falta de conhecimento. Sempre lidámos com eventos extremos: incêndios, cheias, apagões, acidentes. Mesmo que não lidássemos, basta olhar para o mundo para perceber que, mais cedo ou mais tarde, algo semelhante nos afetaria.

A primeira grande solução é reconhecer uma verdade simples: a Proteção Civil somos todos nós.
Não é apenas a entidade, nem o Estado, nem o Governo. Somos nós, no terreno, a ajudar-nos uns aos outros. Não podemos esperar que um ministro, um comandante ou mesmo que um bombeiro esteja presente em todo o lado, quando há dezenas ou centenas de milhares de pessoas a precisar de ajuda ao mesmo tempo.
Nas escolas e nas empresas existem planos de emergência e simulacros para sismos e incêndios.
Esses planos identificam ações, pessoas e locais. Numa situação real, há responsáveis definidos, com conhecimento e autoridade para agir. Não é necessário esperar pela polícia, pelos bombeiros ou por um ministro para intervir.
Porque não existem planos semelhantes para as aldeias?

(Na verdade, existe o programa Aldeia Segura, mas claramente não serve como resposta operacional eficaz.)
Em cada aldeia, escola ou empresa deveria existir um verdadeiro plano de proteção civil: inventários de recursos, identificação de pessoas, equipamentos disponíveis e procedimentos claros.
Freguesia a freguesia, comunidade a comunidade. Nas cidades o plano deveria ser edifício a edifício e, imaginem, já existe uma organização que poderia ser usada : administração do condomínio.
Em situações como estas, equipas e responsáveis teriam de estar identificados e preparados para atuar no momento zero. Coisas simples: geradores prontos a funcionar, máquinas de limpeza, bombas de água, locais previamente definidos para acolher pessoas.
Esta organização deveria estender-se também às empresas; não apenas na disponibilização pontual de recursos, mas na criação de equipas próprias, preparadas para limpeza, corte de árvores, reparações elétricas, instalação de sistemas alternativos de água instalação de antenas de emergência
para telecomunicações. O sr. António que tem um trator o , sr Joaquim que tem uma retroescavadora, a sra Luísa que é especialista de informática e todos as outros teriam de estar identificados para atuar de imediato ou serem contatos se necessário.
Mesmo que não fosse possível resolver tudo de imediato, ao menos existiria um inventário claro das necessidades, permitindo uma priorização eficaz.
O que vimos foi o contrário: uma Proteção Civil que nem fez, nem soube dizer o que era necessário fazer. Como se justifica que o apoio efetivo das Forças Armadas só tenha chegado uma semana depois?
Uma semana?
Libertem os militares. Deixem-nos ser voluntários. Por certo teriam aderido e ajudado desde o primeiro dia. Respeitem as Forças Armadas, têm competências de engenharia para além da guerra.
Máquinas, socorristas, barcos, pontes.
Esta é a nossa realidade. Capacidade de ajuda não nos falta; ela está espalhada por todo o país, usada todos os dias por cidadãos comuns. Falta apenas mais organização e mais prioridade.
Uma organização que deveria chegar das chamadas “entidades competentes”.
Mas não chegou.
A Proteção Civil de que precisamos não é esta, claramente. Teremos de pensar noutro modelo: mais local, mais próximo das pessoas, mais participativo e mais eficiente.

A maior das forças para quem está no centro do furacão.

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