A húmida, triste e irritante realidade de um país a meter água por todos os lados
Aconchegado Manuel Serra d’Aire
Aconchegado Manuel Serra d’Aire
O ditado popular “Depois da tempestade vem a bonança” deve ser revisto pois, pelo que temos visto nesta invernia que não nos larga, a seguir a uma tempestade não vem a bonança, nem sequer o Bonanza. A seguir a uma tempestade, vem outra tempestade e não saímos disto. No espaço de uma semana ou pouco mais andaram por aqui a Ingrid, o Joseph e a Kristin, presumo que todas de origem estrangeira, que não necessitaram de visto nem de passaporte para entrarem pelo país dentro, sem se ouvir uma palavrinha que fosse dos militantes anti-imigração que se reproduzem como cogumelos.
São tantas as borrascas - seja de chuva, de frio ou de vento, quando não é tudo junto -, que bem merecem ter nome de gente, tal é a familiaridade e a convivência que temos tido nos últimos tempos. E assim também podemos chamar os bois pelos nomes, o que dá sempre jeito para não haver confusões. No momento em que te escrevo, antecipam-se já mais temporais, tendo sido já anunciado o Leonardo como o próximo visitante. Pelos vistos, neste Inverno vamos ter direito ao alfabeto inteiro, pelo que pergunto aos entendidos nestas coisas de catástrofes e afins que mal fizemos nós a Deus e se isto não se resolveria com umas procissões?
Temos o país a meter água por todos os lados e, aliás, não foi preciso chegarem tempestades com nome de gente para nos expor a essa húmida realidade. Os funcionários e utentes do Centro de Saúde de Vila Franca de Xira bem o podem atestar, enquanto a água que cai dos tectos vai sendo amparada por baldes estrategicamente colocados.
Os catastrofistas não param de anunciar o fim do mundo e eu já vi a coisa mais longe. Não só pelos alucinados que temos por aí a governar algumas das maiores potências do globo, como pelas cada vez mais frequentes tropelias climáticas e desgraças associadas. Esse cenário apocalíptico encontra sustentação também em Santarém, cidade onde a tradição ainda é o que era. E não só a respeito da festa brava. Quando a borrasca aperta, as encostas continuam a dar de si (delas, obviamente) e as muralhas parecem futebolistas portugueses a atirarem-se para o chão. Foi isso que aconteceu mais uma vez e, desta feita, as malvadas muralhas nem sequer tiveram a decência de esperar que começassem as prometidas obras. Assim que viram uma oportunidade, aí vai disto: lá veio mais um bocado de encosta abaixo.
No meio de todas estas tragédias e infortúnios, valha-nos algumas boas notícias que são dadas à estampa, como o combate abnegado que o Chega tem feito ao emprego precário e mal remunerado, com a contratação de assessores nalguns municípios. É assim, com medidas concretas e positivas, que se começa a salvar Portugal e se põe esta choldra na ordem.
Um bacalhau demolhado do
Serafim das Neves


