Cursos para actuar em frente às câmaras de videovigilância e a mania de querer cobrar dívidas velhas e insignificantes
Taumaturgo Serafim das Neves
Taumaturgo Serafim das Neves
Há uns anos, qualquer pacato cidadão que circulasse num local público, podia, sem qualquer constrangimento, meter o dedo no nariz para tirar um macaco, coçar o rabo se lhe desse comichão, ou afagar docemente as nádegas da acompanhante, por exemplo.
Agora, pode fazer a mesma coisa, mas é melhor fazê-lo com estilo e em pose, porque pode estar a ser filmado por uma das famosas, e cada vez mais numerosas, câmaras de videovigilância, ou por um qualquer telemóvel de um vizinho ou desconhecido, que poderá meter a cena na internet.
Afinal, se passamos tanto tempo a posar para a foto perfeita que colocamos nas redes sociais, não é justo que essa maravilhosa imagem hollywoodesca, seja estragada, sem dó nem piedade, dessa forma vil e traiçoeira.
Não sei se me hei-de inscrever num curso de representação ou escola de cinema, ou se bastará uma formação online dada por um auto-nomeado especialista e essa dúvida tem-me ocupado bastante tempo.
Penso que os municípios que investem na colocação de câmaras em locais públicos falham ao não promover alguma formação nessa área. Uma coisa é um ‘bandidola’, digamos assim, ficar mal no vídeo e ser alvo de chacota, outra é a imagem pública dos bons e inocentes cidadãos de uma terra, ficar afectada. E não há terra que não queira dar uma boa imagem das suas gentes.
O pagamento da factura da água, não é uma das prioridades de alguns cidadãos da Golegã e o calote já chegou aos 303 mil euros. Este tipo de dívidas acontece em muitos outros municípios da região e são compreensíveis e aceitáveis.
Eu compreendo-as. Uma coisa é falhar a prestação do carro e ficar impedido de ir passear, ou até mesmo trabalhar, ou não pagar a internet ou o telemóvel e ficar desligado do mundo. Isso é gravíssimo. Outra coisa é olhar para uma dívida de quatro ou cinco euros de água e deixar prescrever sabendo que o abastecimento não vai ser cortado, porque a água é - lá está - essencial à vida..
E quem diz a factura da água, diz a renda da habitação social, ou coisas do género. Em Coruche, por exemplo, as dívidas ascendem a mais de meio milhão de Euros e há atrasos de três e até de dez anos. É injusto estarem a falar nisso agora, numa altura em que o pessoal já se tinha esquecido do assunto.
Que mania de quererem cobrar dívidas velhas e insignificantes!! Não têm mais nada que fazer??!! É só mesmo para chatear, fosca-se!!! E essas dívidas não prescreveram já??!! Nunca ouviram falar no direito ao esquecimento??!!
Não termino sem um elogio à tua veia poética. Agora foi uma retrospectiva noticiosa em quadras de belo efeito, mas já tinhas publicado outras sobre outros temas. Estás a melhorar. Está feito um vate, de pedir meças ao Bocage. Se não como ‘incensador de mil deidades’, pelo menos como demolidor de mil brutidades.
Um abraço bonançoso
Manuel Serra d’Aire


