Opinião | 11-03-2026 21:00

Um apelo à acção dos nossos autarcas inspirado na ‘desconhecida’ Sydney Sweeney

Emails do outro mundo

Arguto Manuel Serra d’Aire

Arguto Manuel Serra d’Aire
Aviso já que hoje não estou para paródias. Tive recentemente um choque frontal com a realidade que me demonstrou, sem qualquer espécie de cortesia ou aviso prévio, como estou velho e desactualizado. A supostamente famosa actriz norte-americana Sydney Sweeney esteve no Estádio José de Alvalade, os comentadores e as redes sociais exultaram com tão magnífica e inacreditável presença - até parecia uma nova aparição de Nossa Senhora -, e eu, pobre criatura analógica que ainda é do tempo em que se liam romances em papel, atarantado por não saber minimamente quem era a rapariga loira, de calças de ganga e boné de baseball na cabeça, que andava por ali a cirandar no relvado.
É assim que um tipo constata como está ultrapassado, mais ou menos desfasado da época que vive, e começa a ter tendência para ruminar aquela frase: “no meu tempo é que era”. Há uns aninhos (lá está!), sabia os nomes da maior parte dos deputados da nossa região, dos presidentes de câmara e de outros políticos. Não só porque talvez tivesse melhor memória, mas também porque eles faziam por isso. Hoje, já há muitos espaços em branco onde deviam estar nomes e rostos; e de outros que me lembro mais valia não recordar.
Os políticos de agora parecem mais preocupados com a nutrição das suas páginas nas redes sociais, onde se afaga o ego e exalta o culto da personalidade. E onde se cria, continuada e massivamente, uma percepção de realização que, muitas das vezes, não encontra correspondência prática no terreno. Parece que ninguém quer fazer História ou ganhar um lugar cativo na memória colectiva das suas gentes, com palavras e actos que mereçam a imortalidade possível.
E como a região precisa de gente que marque este tempo e ganhe lugar na História local e regional. Precisa de um Nuno Mira que se acorrente à velhinha ponte da Chamusca a reclamar uma ponte nova, prometida desavergonhadamente há décadas. Precisa de uma Sónia Ferreira que vá acampar para a porta do Ministério das Infraestruturas até ver as máquinas no Campo de Tiro a erguer o novo aeroporto em Benavente. Precisa de um Manuel Valamatos a mergulhar no Tejo em Abrantes, para reivindicar a conclusão do IC9 prevista há muito. Precisa de autarcas ribatejanos em greve de fome colectiva, a exigir que o Estado central olhe para o Tejo como o maior rio ibérico merece.
Se eu fosse assessor ou conselheiro político dizia-lhes: mexam-se, porra! Façam estardalhaço! Aprendam a partir a loiça em prol das populações em vez de estarem preocupados com a imagem, a contar likes e a tratar de coisas sérias com paninhos quentes. Porque se continuarem assim, tão frouxos, não merecem passar de ilustres desconhecidos, como a jovem Sydney era para mim até aquela célebre noite em Alvalade.
Um abraço do rabugento
Serafim das Neves

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