Opinião | 18-03-2026 21:00

Às escuras com a Sydney Sweeney e a prevenir o consumo de ácido nitroso, à custa de doses cavalares de contadores de piadas

Emails do outro mundo

Escotópico Serafim das Neves

Escotópico Serafim das Neves
Há cada vez mais contadores de piadas na programação dos teatros municipais que ainda têm programação regular, aqui para os nossos lados. E é compreensível que assim seja.
Há uns anos contávamos e ouvíamos anedotas no café, à volta de umas cervejas, ou na barbearia, que, apesar do nome, era o sítio onde íamos cortar o cabelo. Agora temos que pagar bilhete para as ouvir.
Mas é uma boa escolha dos vereadores da cultura, que fazem de programadores daquelas salas de espectáculos. Porque os artistas de Lisboa não fazem piadas sobre eles, nem sobre as políticas deles, por mais anedóticas que sejam, e porque, para desgraças já bastam os buracos nas ruas, as guerrinhas fatelas dos nossos políticos, as depressões atmosféricas e os aumentos dos combustíveis.
O aumento do consumo de ácido nitroso, também chamado gás do riso, é mais uma prova de que o pessoal anda à míngua de umas boas gargalhadas. Trazer artistas de comédia em pé, é um bom investimento e até devia ser criada uma rubrica própria nos orçamentos municipais. O que a gente não se ia rir com as discussões sobre o aumento anual das verbas para a risota.
No último e-mail, dizias que te sentias ultrapassado por não saberes quem era a tal actriz norte-americana chamada Sydney Sweeney, até ela ter ido ao Estádio de Alvalade. Eu estou pior, porque só soube quem ela era, por ti, muitos dias depois dela ter pisado o famoso relvado.
Mas nada de grave. Os funcionários do Palácio da Pena, em Sintra, onde ela foi a seguir, também estavam como nós. Às escuras. E não foi por terem apagado as luzes. E será que um primeiro contacto com uma mulher como ela, ter sido às escuras, é criticável? Pelo que me lembro, são muito badalados e até aparecem em filmes, os encontros às cegas. Terá sido isso que nos aconteceu com a actriz americana?
Li a história do homem de Tomar, que tem casa própria, mas prefere morar numa tenda à beira do rio Nabão. Espero que tenha mais sorte que eu, que de cada vez que tentei fazer campismo selvagem, fui corrido dos lugares onde montei tenda. E ameaçado com multas e confisco da barraca, digamos assim, mesmo não tendo mijado para o rio, nem cagado ao toro de qualquer oliveira.
Fica aqui o meu conselho para quem é importunado por viver em garagens, ou à molhada em apartamentos pequenos. Porque não vão viver à beira-rio, numa tenda? Comungam com a natureza e deixam de ser ‘melgados’ pelas autoridades. E ainda aparecem numa qualquer revista de campismo ou de naturismo. E também deve ser mais fácil obter um atestado de residência, penso eu.
Saudações hilariantes
Manuel Serra d’Aire

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