Será uma questão meramente remuneratória ou antes o reforço de uma condição estatutária essencial ao Estado que tem estado em falta e que é sentida não só pelos profissionais das carreiras policiais, mas sobretudo por aqueles que das suas casas assistem a uma depreciação constante do trabalho Policial, sendo ele causa de muitos males, e até de males sobre os quais a polícia não tem qualquer intervenção. Passou a ser mais fácil focalizar a culpa e a responsabilidade, escolhendo-se como alvo quem é sempre chamado à liça para responder a aplacar os efeitos negativos resultantes de más decisões, ou sobretudo de não decisões, estando a administração pública corroída por esta cultura da decisão pela omissão, ou a decisão por via do silêncio. A promoção de um Estado são, onde a Polícia se constitui verdadeiramente como um barómetro social de estabilidade e equilíbrio, só se constrói se formos sérios na decisão, e responsáveis na gestão. E a este nível, perdoem-me, mas não temos tratado bem quem todos os dias tem as portas abertas, e sobretudo a alma pronta, para responder aos anseios de milhões de almas, mesmo que nalgumas delas, infelizmente, cogitem dúvidas que antes não eram consideradas, mas sabendo, ainda assim, que quando precisam, estes guardiões estarão lá para zelar por elas.
É verdade que os acontecimentos recentes devem-nos fazer refletir, e têm acima de tudo que nos pôr a agir de forma a evitar recidivas. Mas também é verdade que a justiça não se faz através de manchetes, ou pior, pela exposição mediática e partilha pública das caras dos envolvidos, sejam eles Polícias ou não. Isto prejudica a investigação e contamina a opinião. A justiça faz-se nos Tribunais e não nas capas de jornal, tal como as reformas não se fazem nos estúdios ou nas conferências de imprensa, fazem-se antes entre e com os interlocutores certos.
Esperemos, sinceramente, que seja essa a visão do novo Ministro da Administração Interna, isto se quiser efetivamente deixar um legado.


