Opinião | 17-04-2026 20:34

Entre momentos, o que fica?

Entre momentos, o que fica?
Alexandra Azevedo de Carvalho

O que “Paixão” veio mostrar - numa dimensão diferente, mas significativa - foi que a capacidade de mobilização, organização e participação não se esgota com o fim do evento.

A encenação de “Paixão”, dirigida por Carlos Carvalheiro e concretizada pelo grupo Fatias de Cá, em parceria com várias entidades, (destacando a RFE Alviobeira, a Universidade Seniór deTomar e a Comissão de Festas da Senhora da Piedade), bem como grupos informais, mobilizou mais de duas centenas de participantes e esgotou a totalidade dos 640 lugares disponíveis, no passado dia 29 de março, em Tomar.

O espetáculo ocupou ruas, largos e edifícios da cidade ao longo de várias cenas, propondo um percurso imersivo que envolveu diretamente o público.

Em Tomar, a mobilização coletiva em torno de acontecimentos culturais faz parte de uma prática consolidada, que atinge a sua expressão máxima em momentos de grande escala.

Mas a questão não está apenas nesses momentos.

Está no que acontece depois.

O que “Paixão” veio mostrar - numa dimensão diferente, mas significativa - foi que a capacidade de mobilização, organização e participação não se esgota com o fim do evento.

A concretização do projeto implicou várias semanas de preparação, ensaios e coordenação, exigindo uma organização rigorosa e a articulação de diferentes agentes.

O ponto de partida foi um desafio lançado pela Paroquia que resultou num entendimento com a Câmara Municipal de Tomar, cujo envolvimento foi fundamental para criar as condições necessárias. Catequistas acompanharam o público ao longo do percurso e escuteiros asseguraram apoio logístico.

A partir daí, o trabalho do grupo Fatias de Cá, sob direção de Carlos Carvalheiro, assegurou a execução de um projeto com elevada complexidade, articulando níveis distintos - artístico, institucional e comunitário.

Se a cidade demonstra, de forma recorrente, que consegue mobilizar pessoas, organizar processos e sustentar projetos coletivos exigentes, o ponto deixa de ser a capacidade.

Passa a ser a continuidade.

A cidade responde quando encontra quem a saiba organizar.

O que acontece, então, entre momentos?

Como se mantém ativa uma capacidade que já provou existir?

A resposta não está no que aconteceu.

Está no que se decide fazer a seguir.

O que “Paixão” veio mostrar - numa dimensão diferente, mas significativa - foi que essa mesma energia organizativa e participativa continua presente, mesmo fora desses momentos excecionais.

A cidade responde quando encontra quem a saiba organizar.

O que acontece entre esses momentos?

Como se mantém ativa, visível e estruturada uma competência que já provou existir?

“Paixão” não responde a essas perguntas.

Mas torna-as mais difíceis de ignorar.

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