Opinião | 26-05-2026 18:50

Então pá?

P.N.Pimenta Braz

Não vale a pena ter um Código com 566 artigos, coimas ridículas e um sistema dissuasor que não funciona. Mais valia ter metade dos artigos, coimas verdadeiramente dissuasoras e um sistema inspectivo e judicial funcional. Por isso é que a infracção mais comum continua a ser, mais de 50 anos depois, a não afixação de mapa de horário de trabalho.

1. Então e o aeroporto!?! Levanta voo ou não?! Já estamos em meados de 2026 e a malta de Benavente sempre vai ter obras às suas portas ou não? Já se vislumbram máquinas em movimento? Meu Deus, tanta agitação para nada.

Insisto: então e o aeroporto?

Ou andam ainda a contratar mão de obra que não existe, mão de obra para construção civil e obras públicas profundamente desqualificada? Toca de importar mais rapaziada e já imagino o governo a ter de abrir uma excepção à nova lei da imigração para a construção do quimérico aeroporto.

Insisto: então e o aeroporto, pá?

2. Então não querem ver que o PS tem 10 pontos de vantagem nas últimas sondagens? Ena…quando a esmola é grande...

Eu, se fosse ao Dr. Carneiro, desconfiaria. Para quem está de fora, dá a sensação daquelas coisas coladas com cuspo, como fazíamos antigamente com as cadernetas de cromos, quando não tínhamos cola.

Ó Dr. Carneiro, o senhor espalhou-se ao comprido com a questão das Lajes e quis dar uma de esquerdismo para o interior do partido.

Então, homem, não lhe ensinaram que a nossa independência sempre esteve directamente relacionada com uma potência atlântica, no contraponto que temos necessariamente de fazer com os nossos orgulhosos “hermanos”? Ou têm de o conduzir novamente à escola primária para o instruírem sobre a nossa história?

Ó Dr. Carneiro, há coisas com que não se brinca.

É que ainda pode ser confundido com o PS de Santarém, que há anos que ainda não percebeu que anda às voltas a trincar a própria cauda…

3. Então e as alterações ao Código do Trabalho? Será que não se percebeu que a grande questão é mesmo o banco de horas e que tudo o resto são balelas?

Não, Sr. Primeiro Ministro: nas nossas PME – que representam 99% do sector empresarial não financeiro - ninguém compensa horas de trabalho a mais. Pelo menos, não na justa proporção das horas trabalhadas em excesso.

Como é que eu sei? Porque sou inspector do trabalho e ando nas empresas todos os dias.

E não há compensações, porque isso é impraticável.

Alerte a Sra Ministra - que tem de passar a ser Ministra do Trabalho e não do Código do Trabalho – de que uma empresa com 5 trabalhadores não tem forma de compensar nada: acumulam-se horas.

Ah, e lembre também que, mais importante do que fazer leis, é ter quem as faça cumprir.

Não vale a pena ter um Código com 566 artigos, coimas ridículas e um sistema dissuasor que não funciona. Mais valia ter metade dos artigos, coimas verdadeiramente dissuasoras e um sistema inspectivo e judicial funcional.

Por isso é que a infracção mais comum continua a ser, mais de 50 anos depois, a não afixação de mapa de horário de trabalho.

4. Para finalizar, então não que Portugal, visto de longe, é cada vez mais insignificante?

As nossas questões, com honrosas excepções, são quinquilharia ultrapassada.

Sobrevive-se com base na pertença a tribos dependentes do Estado, urdidas em cumplicidades mútuas, que asseguram empregos, negócios e posições de poder.

Não, não existe genuíno mercado livre nem mérito na vida social portuguesa. A inveja abate quem se destaca e que possa colocar em causa o status quo existente.

Não, a coisa não vai lá com alterações a códigos laborais, mais ou menos para a esquerda, mais ou menos para a direita.

Por cá, o círculo vicioso só vai sendo cortado devido a imposições da União Europeia. Caso contrário ainda andaríamos de carroça.

Queremos é campos de futebol, festas pagas pelas autarquias e centros comerciais para passear.

Sr. Primeiro Ministro, ouça: ou governa a sério, ou transforma-se num outro qualquer Dr. Costa.

P.N.Pimenta Braz

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