Uma Feira do Ribatejo marcada pela situação difícil do país e da agricultura
Álvaro Mendonça e Moura abriu mais uma edição da Feira da Agricultura com um discurso crítico, pedindo mais apoio para os agricultores, com o ministro da tutela, José Manuel Fernandes, a acusar o toque, mas também a citar poesia de Eugénio de Andrade e Miguel Torga.
Há muitos anos que a Feira Nacional da Agricultura, Feira do Ribatejo, não tinha o peso institucional que teve este ano. Dois ministros na inauguração e o novo presidente do CNEMA a inaugurar o certame com um discurso elaborado, cheio de críticas ao Governo, como raramente se viu e ouviu numa inauguração e perante ministros em funções.
O resultado não podia ser melhor; às críticas de Álvaro Mendonça e Moura o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, respondeu com cordialidade, mas também com poesia, citando no final do seu discurso versos de Eugénio de Andrade e Miguel Torga.
No ano em que a Feira apresenta os números mais baixos de sempre, em público e em expositores, embora só tenham passado três dias desde o dia da inauguração até ao dia em que escrevo esta crónica, é com agrado que registo aqui a nova postura da administração, na voz do seu presidente, que confessou a O MIRANTE, no dia da inauguração, que não assumiu o cargo para que tudo fique na mesma.
Não por acaso fomos testemunhas de muitas queixas de expositores, que estão a acusar a falta de visitantes, uma situação que não é de admirar tendo em conta o aumento do custo de vida, principalmente nos preços dos produtos alimentares que nos últimos dois anos subiram mais de 30%, em muitos casos nos produtos de primeira necessidade.
O presidente da câmara João Leite reforçou a presença do executivo na administração e já disse publicamente que quer concentrar no espaço do CNEMA uma boa parte da vida cultural da cidade. No seu discurso de abertura não abriu o jogo, mas O MIRANTE sabe que os líderes da autarquia têm consciência da necessidade de uma renovação na liderança do Parque de Exposições, que só pode acontecer com Álvaro Mendonça e Moura, diplomata de profissão, mas aparentemente também o estratega que possui a capacidade para reunir recursos e talentos, unir à volta do CNEMA a cidade e a região, fazendo aquilo que, desde José Manuel Casqueiro, nunca mais ninguém foi capaz de fazer.
Joana Salgado Emídio - Directora Executiva


