Opinião | 13-08-2026 07:00

Miguel Pinto Luz vai ganhar a Paulo Campos a assinar PPP e a Ponte da Chamusca ainda vai ser um restaurante panorâmico

Miguel Pinto Luz vai ganhar a Paulo Campos a assinar PPP e a Ponte da Chamusca ainda vai ser um restaurante panorâmico

Miguel Pinto Luz deixou na Câmara de Cascais provas de que é um político frouxo mas muito astuto. Se não o vigiarem corremos o risco de não termos novo aeroporto, mas ainda assim o dinheiro deixar de chegar para as pontes da Chamusca, mas também para o combate aos fogos, o ensino universitário, os lares de idosos, a salvaguarda do património secular e a gestão das autoridades que ainda fazem de Portugal um país seguro.

O MIRANTE foi atrás das conversas que saíram de uma visita recente dos presidentes das câmaras da Chamusca e Golegã ao gabinete do ministro Miguel Pinto Luz que, pelo que ouvimos, e podemos ler nesta edição, vai dar mais no mesmo de sempre. Os problemas com a qualidade de vida no concelho da Chamusca, e concelhos limítrofes, deviam ser compensados como prometido pela construção do Parque do Relvão inaugurado em 1988, mas as promessas dos políticos não são para levar a sério. Este ministro é outro para somar aos muitos que nunca cumpriram as promessas que deviam ser sagradas, por serem de membros do Estado, logo de quem não pode deixar de dar o exemplo. O crescimento do partido Chega deve-se precisamente a este tipo de atitudes de quem se diz do lado do povo, mas depois faz política contra quem lhes confia o voto. Não admira, por isso, que o Partido Chega seja hoje o segundo partido representado no Parlamento e o fiel da balança para o governo de Luís Montenegro. Apesar de ser ainda um partido de um só homem, ou de um homem só, e de estar minado de ex-militantes do PSD, CDS e do PCP, por mais estranho que pareça, e a maioria dos dirigentes sejam uns ressabiados, ninguém pode levar a mal que o povo tenha eleito 50 deputados nas anteriores eleições, e, nas próximas, a votação ainda possa chegar ao inimaginável.
Miguel Pinto Luz passou por Abrantes recentemente e fingiu que não sabia que há comunicação social local e regional e, por isso, em vez de conversar e explicar-se, parou meia hora pelo caminho e esteve a apanhar sol e a tentar convencer o presidente de Abrantes das melhores intenções deste Governo.
Como Portugal não vai à bruxa, calhou ou vai calhar ainda a Miguel Pinto Luz as assinaturas de todas as concessões multimilionárias que precisam de ser feitas para que daqui a uns anos a VINCI escreva claramente que vai começar as obras no futuro aeroporto de Lisboa. Até lá Miguel Pinto Luz vai certamente bater o recorde do antigo Secretário de Estado de José Sócrates, Paulo Campos, que se não ficou com artroses nos dedos de tantas assinaturas a validar as PPP, foi porque estava a ser bem seguido pelo médico de família.
Foi notícia em 22 de Junho que o Tribunal Central de Instrução Criminal pronunciou e mandou para julgamento Paulo Campos, por suspeita de participação económica em negócio no caso das PPP no sector rodoviário. Foi pronunciado por cinco dos 10 crimes de participação económica em negócio de que tinha sido acusado, em 2021, e ilibado dos restantes. A acusação do Ministério Público foi deduzida em Dezembro de 2021, ao fim de quase uma década de investigações. Quem ainda acredita em bruxas já sabe no que vão dar estas acusações tantos anos depois dos supostos crimes.
Miguel Pinto Luz saiu da vereação da Câmara de Cascais para governar o nosso país num sector onde o dinheiro e as parcerias público-privadas (PPP) são uma mina de ouro, que subjuga o Estado português a compromissos durante muitas décadas, com valores estratosféricos que depois fazem com que não haja dinheiro para as reformas, a saúde, a Justiça e tudo aquilo que é mais importante que os aviões, os comboios, as autoestradas e os superiores interesses de empresas como a Brisa, a Vinci a Mota Engil e tantas outras onde são líderes os antigos ministros e secretários dos antigos governos de Guterres, Cavaco, Passos, Costa e Durão Barroso, entre outros.
Miguel Pinto Luz deixou na Câmara de Cascais provas de que é um político frouxo mas muito astuto. Se não o vigiarem corremos o risco de não termos novo aeroporto, mas ainda assim o dinheiro deixar de chegar para as pontes da Chamusca, mas também para o combate aos fogos, o ensino universitário, os lares de idosos, a salvaguarda do património secular, a gestão das autoridades que ainda fazem de Portugal um país seguro, embora saibamos que tudo isto vai piorar, e Miguel Pinto Luz daqui a uns anos estará numa empresa privada a tratar da sua vidinha como lhe compete porque também é gente e tem filhos para criar.

Nota: deixei cair neste texto (não no título) a ideia de que a centenária ponte da Chamusca ainda vai ser um restaurante panorâmico porque não quero faltar ao respeito aos proprietários do restaurante Paragem da Ponte. Não preciso de me explicar aos leitores; se não perceberem a ideia também não perdem nada com isso. JAE

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