Opinião | 19-08-2026 21:00

Sinos que não tocam a rebate quando o sol fica negro e cidadãos sem óculos de eclipse por culpa do governo

Emails do outro mundo

Vivaz Serafim das Neves

Vivaz Serafim das Neves
Para ver o eclipse do sol de 12 de Agosto em segurança, foram distribuídos, gratuitamente, centenas de milhares de óculos próprios para o efeito. Podem parecer muitos mas não são. Afinal, somos mais de onze milhões de habitantes e nem todos moramos numa terra com farmácia ou loja de óculos.
Os protestos foram mais do que estrelas na noite mais intensa da chuva de estrelas cadentes. E com razão. O Governo falhou mais uma vez ao não proteger o povo.
Não sei se está na Constituição o direito dos cidadãos serem protegidos dos efeitos dos eclipses, mas se não está, devia estar. Falam de tanta coisa na Assembleia da República, mas não falam do que interessa verdadeiramente ao povo. Não se importam que fiquemos meio zarolhos com aquela intensidade de luz?! Cambada!!!
No último eclipse do sol, em 11 de Agosto de 1999, há 37 anos, não corri perigo de ficar cegueta porque estava abrigado na igreja matriz da Golegã. O eclipse foi por volta das 11 da manhã e nessa altura estava a decorrer a cerimónia que antecedeu a colocação das cinzas do Mestre escultor Martins Correia, do outro lado da rua, no Museu com o seu nome.
O falecido era um apaixonado por cores vivas e até ficou conhecido pelas suas esculturas policromáticas. Não sei se, de propósito, o padre arrastou a cerimónia e o cantor Pedro Barroso, acompanhado ao piano pela catalã, Mercedes Cabanah, interpretou a Avé Maria de Shubert, numa toada tão lenta, que quando saímos da igreja, o eclipse chegara ao fim e as cores vivas da vida de que o artista tanto gostava, tinham voltado a estar perfeitamente iluminadas.
Conto isto, a propósito dos conselhos dados nos dias anteriores ao recente eclipse. Porque é que os padres não aconselharam os paroquianos que não tinham óculos dos tais, a recolherem-se em oração nas igrejas, à hora do eclipse, em vez de arriscarem olhar para o sol. Noutros tempos isso teria sido feito, e até os sinos tocariam a rebate.
Após a depressão Kristin, em Fevereiro, muitas pessoas, empresas e instituições ficaram sem telefones, nem internet. Felizmente não foi o meu caso e é por isso que continuo a receber diariamente por e-mail e telemóvel convites para clicar em links manhosos; assinar contratos falsos e fazer compras da treta. Uma animação constante de que continuam privadas milhares de pessoas.
Como é que tanta gente tem os meus contactos não é mistério. Sou eu que os forneço, quando quero comprar qualquer coisa ou assinar um qualquer contrato. Dizem-me sempre que os dados que eu forneço, voluntariamente, claro, só são partilhados com parceiros. A última vez que tive a curiosidade de ver os parceiros de uma empresa, respirei de alívio. Nem sequer chegavam a setecentos.
Saudações terlintinteiras
Manuel Serra d’Aire

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias