Selins de bicicleta em forma de banana e a obrigação de saber o que são burqas, hijabes e niqabes, para poder andar na moda
Destapado Serafim das Neves
Destapado Serafim das Neves
Um decreto-lei, aprovado no fim de Agosto, no Brasil, obriga os promotores de espectáculos, concertos, festivais, feiras e eventos culturais ou desportivos, com mais de mil pessoas, a disponibilizar água potável gratuita aos espectadores, seja através de bebedouros ou de garrafas, independentemente de serem vendidas águas ou outras bebidas nos recintos. Um absurdo, como se compreende!!
Felizmente, em Portugal, não há obrigações destas. E se há, apenas obrigam ao cumprimento dos mínimos, como nas greves. Um bebedouro com cinco litros de água, colocado a um quilómetro e meio do palco, deve chegar para dez mil espectadores durante três ou quatro horas, segundo as contas dos promotores. E quem sou eu, um reconhecido nabo a matemática, para dizer que estão errados.
E garrafinhas individuais reutilizáveis não podem entrar, porque há sempre malucos capazes de atirar uma à cabeça do artista. A segurança em primeiro lugar.
E há que defender o negócio das barraquinhas, quiosques e máquinas de venda de bebidas, para além da animação gerada pelas filas para comprar água, Coca-Cola ou cerveja. A segurança, a economia e a cultura em primeiro lugar, claro. E em Portugal, como se sabe, nem sequer faz calor, mesmo quando estão mais de 39 graus, como aqui no nosso fresco Ribatejo.
A defesa de postos de trabalho também é prioritária. O que fariam aqueles seguranças que estão à entrada dos espectáculos a revistarem pessoal e a confiscarem garrafas e sandes mistas? Só espero é que sejam amigos do ambiente e que entreguem as garrafas que nos tiram nas máquinas Volta, depois de as beberem lá em casa com a família.
No tempo da chamada geringonça passei horas a tentar memorizar que LGBTQIA queria dizer Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais/Transgéneros, Queer, Intersexo e Assexuais. Nunca consegui, mas a polícia dos bons costumes e das liberdades de géneros, também nunca me apanhou. Agora que mudaram os deputados, o governo e o Presidente da República, ando atarantado com burqas, hijabes,niqabes, chadores, shaylas e sei lá mais o quê.
Que eu me lembre, para além de umas simpáticas lésbicas e uns tantos homossexuais, alguns bem intelectuais e afáveis, nunca houve mais nada pelos nossos lados, que justificasse eu partir a cabeça na aprendizagem da política das causas fracturantes. E quanto a burqas, hijabes, niqabes, chadoresee e shaylas, nem uma foi avistada desde que D. Afonso Henriques conquistou Santarém.
No entanto, os nossos políticos e comentadores têm-se afadigado a discutir aquilo e a aprovar leis a proibir tais coisas. Queres ver que ainda vou ser obrigado a frequentar ‘workshops’, para sair da ignorância?!!
A Associação de Conservação da Natureza, Quercus, tem-me tirado o sono ao voltar a defender que devíamos andar todos de bicicleta. Pensei que, depois do fracasso das ciclovias e das bicicletas partilhadas, já tinha escapado de aulas obrigatórias de ciclismo, digamos assim, porque nunca soube andar naquilo. Agora tenho pesadelos, principalmente por causa daqueles assentos, digamos ergonómicos, em forma de banana.
Saudações de cara ao léu!
Manuel Serra d’Aire


