A purga
Em assembleia da Santa Casa, de Santarém, declarei que “políticos” não deveriam ser aceites como provedores (nem não praticantes, uma vez que as Misericórdias são uma estrutura da Igreja Católica).
Em assembleia da Santa Casa, de Santarém, declarei que “políticos” não deveriam ser aceites como provedores (nem não praticantes, uma vez que as Misericórdias são uma estrutura da Igreja Católica). De forma pouco discreta fui apelidado de idiota por quem ocupa a cadeira. Cada um é livre de emitir a opinião que entende, mas é pena que estas opiniões não tenham sido transcritas para acta, importa, para memória futura, saber com quem lidamos. Não que eu tenha tido qualquer dúvida, a “declaração de princípios” aquando da tomada de posse, foi esclarecedora, construção de um museu e de mais “obras” pouco a ver com as obras de misericórdia. O discurso levou-me, na época, a escrever aqui um artigo explicando os “objectivos” de uma Santa Casa. O tempo, lamentavelmente, veio a dar-me razão. Plasmando as organizações políticas, mas com a liberdade de quem não tem oposição, deu início a uma purga, primeiro a directora-geral, depois todos os que se lhe opunham. Trabalhadores, entenda-se. Concluída esta fase, passou à promoção dos fiéis. Aumentos generosos aos bajuladores. A fase seguinte foi o convite a integrar a irmandade dos funcionários (dos “certos”, naturalmente), ética e funcionalmente inaceitável, pelas óbvias tomadas de posição em causa própria, daí passou à expulsão dos irmãos “opositores”, uma limpeza cirúrgica, uma votada em assembleia, mas sem justificação por ser “segredo”, ou seja, uma assembleia adormecida, ou domesticada, votou a expulsão de um irmão sem saber o que ele fez de tão grave para merecer tal castigo. Aliás uma proposta de negócio também foi votada, favoravelmente, sem qualquer documento de apoio, documentos que foram pedidos em assembleia, mas que nunca foram apresentados. Para as restantes expulsões foi alegado o atraso de pagamento de quotas, indigitou para o efeito um obediente para contactar os “que interessavam” e fazê-los pagar as quotas em atraso e os que “não interessavam” sem aviso foram expulsos. Uma verdadeira obra de misericórdia. Pelo caminho vai vendendo (sempre com o meu voto contra) o património para compor o balanço, pelo que, brevemente, deixará de haver outras formas de receita que não os pagamentos dos utentes, sempre insuficientes. É assim que, numa visão “política” da coisa, investe-se na pintura exterior da praça de toiros e da Igreja de Jesus Cristo, (imagem sempre imagem) mas não na compra de um PT para a quinte ficando esta impossibilitada de regar, ou em obras de recuperação das habitações para as rentabilizar, do edifício escola da quinta, ou da praça de toiros, para aumentar o seu rendimento, à semelhança do que fizeram outras misericórdias. Outras histórias existem, mas como Fernão Lopes evito-as. Penso que está na altura de o Sr. Bispo olhar para a sua misericórdia, bem como o Ministério Público, cada um na sua competência.


