Opinião | 14-10-2026 10:42

A grande derrotada foi a Direita

Vinicius Todeschini

A Direita brasileira foi tragada pela onda neofascista que varre o país e seus candidatos não ofereceram nenhuma resistência a esse avanço, os seus números nesta eleição corroboram isso. No Rio Grande do Sul, Gabriel Souza, o candidato do governador ultraneoliberal, Eduardo Leite, fez apenas 8% dos votos e o ex-governador do estado e candidato ao senado pela mesma chapa, Germano Rigotto, ficou com 3%. Uma grande humilhação.

A derrota no primeiro turno foi, principalmente, da Direita brasileira. A Esquerda conseguiu se manter, mas não cresceu como esperava e perdeu o Congresso Nacional e os governos do Sul e do Sudeste. A manobra do TSE-Tribunal Superior Eleitoral para favorecer Douglas Ruas, anulando os votos de Garotinho, acabou com o segundo turno no estado do Rio de Janeiro. Eduardo Paes está recorrendo à Justiça Eleitoral, mas dificilmente conseguirá reverter o esquema patrocinado pelos dois representantes do bolsonarismo, Kassio Nunes Marques e André Mendonça, ora nos cargos de presidente e de vice do TSE, e mais um bandido chegará ao cargo de governador no Rio. Muito mais que tendenciosos, os dois agem deliberadamente contra a chapa liderada por Lula, criando inúmeras dificuldades e favorecendo de todas as formas o seu candidato. A derrubada por Nunes Marques, via processo administrativo, do canal "Exército do Lula", no WhatsApp, administrado pelo deputado federal André Janones, foi completamente arbitrária e um exemplo disso, mesmo que, em contrapartida, tenha havido a reversão parcial pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que, além disso, criticou o ministro, acusando-o de atropelar a instrução probatória em andamento. O canal contava com mais de 3 milhões de inscritos.

A Direita brasileira foi tragada pela onda neofascista que varre o país e seus candidatos não ofereceram nenhuma resistência a esse avanço, os seus números nesta eleição corroboram isso. Aqui no Rio Grande do Sul, Gabriel Souza, o candidato do governador ultraneoliberal, Eduardo Leite, fez apenas 8% dos votos e o ex-governador do estado e candidato ao senado pela mesma chapa, Germano Rigotto, ficou com 3%. Uma grande humilhação. Nos debates, os candidatos da Direita não fizeram outra coisa a não ser atacar o governo, chamando Lula de ladrão em muitas oportunidades. Essa frase virou um mantra da Direita, mesmo que o presidente tenha sido condenado sem provas e inocentado pelo STF de todas as acusações, diante da nulidade de um julgamento empreendido como uma grande manobra para afastá-lo da disputa eleitoral de 2022, orquestrada pelo Estado profundo norte-americano e executado pelo ministério público federal do Paraná e pelo ex-juiz federal Sergio Moro, eleito agora governador do Paraná.

No STF, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes solicitaram acesso integral aos dados do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e pivô da maior crise de corrupção envolvendo políticos e ministros do STF e que estavam sob a relatoria e custódia de André Mendonça e da Polícia Federal. O pedido do presidente da Corte foi feito em setembro e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, agendou a entrega de novos arquivos e dados extraídos dos celulares de Vorcaro e de seu cunhado, Fabiano Zettel, diretamente ao presidente do STF, Edson Fachin. André Mendonça se tornou uma peça fundamental nesse jogo de xadrez para encurralar o governo federal e assim favorecer Flávio Bolsonaro, um dos políticos mais corruptos da história da República. Conseguiu, seletivamente, expor várias pessoas e esconder o principal envolvido no escândalo, o candidato à presidência pelo PL e assim, uma eleição que se encaminhava para uma vitória ainda em primeiro turno para Lula se transformou em um pesadelo.

Após o knockdown do primeiro turno já existem sinais de recuperação e Lula entrou em campo com uma disposição impressionante, mas muitos ainda não saíram do estado de perplexidade após os resultados do primeiro turno. Eu, muitas vezes, fui criticado pela Esquerda por diagnosticar e divulgar a falta de leitura dos cenários e movimentos dos fascistas nesses últimos vinte anos, todos esses vetores estavam aí para quem quisesse ver, mas a Esquerda parece gostar de viver perigosamente e não demonstrou, até agora, capacidade nem humildade para uma autocrítica mais profunda e uma mudança de estratégia. A verdade é que o discurso acadêmico não penetra na bolha neofascista e o pobre de direita age e se posiciona por identificação e não por argumentos contrários à sua posição. Os sarcasmos e piadas a seu respeito também não ajudam, porque a mitologia criada e desenvolvida em lugares onde o Estado brasileiro é ausente está cristalizada e levará muito tempo para ser desconstruída, principalmente porque não foi sequer prospectada com o nível de profundidade exigida pela sua gravidade e, portanto, a distância entre a Esquerda e este enorme segmento do povo, tanto em números, quanto em mobilização, continuará existindo indefinidamente e haverá mais retrocessos até que se mude à direção dos ventos políticos.

Vinicius Todeschini 13-10-2026

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