Barack Obama a puxar pelas minorias e o distrito de Santarém como jóia da coroa
Na semana em que Barack Obama veio a Lisboa, e foi recebido como um herói dos nossos tempos, O MIRANTE entregou os prémios Galardão Empresa do Ano. Percebemos por isso como de ano para ano vamos crescendo como região, embora devagar, devagarinho.
Aceitei um convite para ouvir Barack Obama no Meo Arena, em Lisboa, onde só tinha entrado uma vez. Prefiro um concerto num jardim que numa arena monumental, por isso a minha ausência daquele espaço e de outros parecidos. Nunca tinha participado num evento tão eclético, embora saiba que eles existem. Também aqui prefiro o cinema e o documentário e a reportagem, onde consigo perceber melhor a realidade por trás destes grandes eventos de massas e, em muitos casos, de elites.
Trago o assunto aqui porque fui sensível às manifestações da plateia cada vez que Obama falava de minorias, puxava pelo colectivo, criticava a arrogância dos políticos e defendia a política como uma actividade nobre, onde as decisões deviam ser sempre partilhadas com o maior número de bons decisores.
O tempo que permaneci nos bastidores, onde não faltavam bares abertos, o networking praticava-se como nos velhos tempos, embora em contextos e tempos diferentes. Como me sinto retirado/reformado, senti-me mais no papel de jornalista do que director-geral de O MIRANTE. Mas não deixei de reparar como se movimentavam algumas trutas que querem vingar, ou já vingaram, no mundo dos negócios. Conclusão para as duas horas em que cirandei entre políticos e os maiores empresários do país: é muito importante ter a experiência necessária, de forma a não fazer má figura, para não se perceber quem nestas iniciativas arrasta o rabo e quem anda com o rabo no ar.
O facto de ainda trabalhar muitas horas a mais por dia, não me obriga a comparecer a todas as festas como há 10 ou 20 anos, quando ainda não tinha passado a barreira de uma idade que exige contenção e muito juízo. Sou sensível aos problemas físicos que chegam com a idade, mas, tal como muitas outras pessoas que trabalham com a massa cinzenta, tenho algum receio das doenças mentais da moda. Por isso já não faço fretes e vou regularmente à farmácia comprar alimento para os “cabelos no coração”. José Saramago confessava, aos 80 anos, que depois de escrever treinava a mente com jogos analógicos. Para além de continuar um leitor compulsivo, vejo cinema e jogo damas no computador, tentando manter a memória e exercitando a paciência que se adquire com o estudo das jogadas, mas também com a “raiva” dos erros e das dificuldades impostas pelo “adversário”. Não troco a minha vida espiritual, que também passa pela ligação à terra e aos prazeres das viagens, por nada deste mundo. E se falo disto aqui não é para deixar recados; no meu mundo não entram as vidas dos outros, a ideia é deixar escrito aquilo que também me serve de bússola; se escrever o que penso, mais dificilmente me deixo trair nos momentos em que o Diabo me escreve, telefona ou bate à porta de minha casa (se a crónica admitisse emojis punha aqui vários bonecos a sorrir).
A realização da 26.ª edição do Galardão Empresa do Ano voltou a reunir mais de três centenas de empresários e líderes da região que aceitam o desafio de serem parceiros de O MIRANTE, nesta e noutras iniciativas. Este ano foi a melhor cerimónia de sempre. Para o ano faremos ainda melhor. Deixo aqui uma nota que me apraz registar; os empresários que foram homenageados não usaram meias palavras para se expressarem, e alguns galvanizaram-se nos seus discursos, curtos, mas substantivos, para permitirem que escrevamos que a região está no mapa e precisamos que o país acorde, e os políticos que nos governam a partir de Lisboa percebam que estamos a chegar a um ponto sem retorno se todos continuaram a assobiar para o lado. Um dos premiados, depois de ver fotos antigas do Galardão, teve a coragem de elogiar Joaquim Silvério, dizendo que aprendeu quase tudo com um homem que só tinha a quarta-classe, e outro defendeu com tanta energia o papel do ensino privado em Portugal que é impossível que a energia do seu discurso não tenha feito estremecer as paredes milenares do Convento de S. Francisco, e ficado na memória das mais de três centenas de pessoas que estiveram na cerimónia. JAE


