Chá de camomila nos balneários, palhaços que mudaram de circo e o Ribatejo a levantar võo
Tempos houve em que o doping reinava no futebol nacional, para dar energia redobrada aos atletas, que até comiam a relva (ou snifavam o pó dos pelados, consoante o piso) graças às substâncias químicas que ingeriam ou lhes eram administradas, por vezes até sem seu conhecimento e consentimento.
Sapiente Manuel Serra d’Aire
Tempos houve em que o doping reinava no futebol nacional, para dar energia redobrada aos atletas, que até comiam a relva (ou snifavam o pó dos pelados, consoante o piso) graças às substâncias químicas que ingeriam ou lhes eram administradas, por vezes até sem seu conhecimento e consentimento. Depois veio o controlo anti-doping mais rigoroso e a coisa passou a piar mais fino. Mas, perante tantos actos destemperados, agressões e pancadaria que se têm visto nos nossos campos de futebol - e a época ainda vai no início - talvez fosse altura de voltarmos às mezinhas milagrosas, mas, neste caso, de sentido contrário, que ajudem a acalmar os ânimos da malta que joga à bola. Uns chás de camomila ou valeriana para começar e, caso não surtam efeito, passar para o Valium ou para o Xanax… E, já agora, pratiquem ioga no aquecimento e ponham música com flautas de Pã nos altifalantes dos campos, antes, no intervalo e no final dos jogos.
Partilho estas ideias porque, nas últimas semanas, houve sessões de pancadaria para todos os gostos em desafios de futebol de equipas da região, fosse em jogos do Inatel, do campeonato distrital ou até de um campeonato nacional dos escalões mais baixos. Foi um cardápio diversificado de murros, pontapés e cabeçadas que poderá até pecar por defeito. Talvez fosse bom os clubes pensarem em abrir secções de boxe, pois anda aí muita malta com jeito e vontade que, pelos vistos, está a praticar a modalidade errada.
Relataste que foste recentemente ao circo e que saíste de lá desiludido com o espectáculo desenxabido a que assististe. Já não há leões nem tigres, elefantes ou serpentes, tão-pouco palhaços anões ou mulheres barbudas. Experimenta ir a um jogo de futebol, que talvez não saias desiludido. Não é bem um circo romano dos tempos de Júlio César, mas ainda por lá aparecem uns gladiadores que, mesmo sem gládio mas igualmente de perna ao léu, contribuem para animar as bancadas e incendiar os ânimos. Ou, então, começa a assistir às sessões plenárias da Assembleia da República. Acho que alguns dos melhores palhaços migraram para lá. É um trabalho mais bem pago do que no circo.
Gastei 50 euros em foguetes e outros tantos em champanhe para assinalar o anúncio de mais um aeroporto para a nossa região. Depois do que terá como destino Benavente (se a Inteligência Artificial ou a estupidez natural de alguns senhores do mundo não acabarem com a Humanidade entretanto, como apregoam alguns profetas do apocalipse), agora ficou a saber-se que, daqui a uns anos, vamos ter aviões comerciais também a aterrar e a descolar da antiga base aérea de Tancos. Não há fome que não dê em fartura e já estou a imaginar os céus ribatejanos infestados por enxames de aviões, como uma espécie de réplica aérea do IC19 em hora de ponta. É o preço do progresso, meu caro.
Saudações aeronáuticas do
Serafim das Neves


