Política | 18-10-2020 18:00

Política leva ao chumbo de voto de pesar pela morte de trabalhador dos SMAS

Política leva ao chumbo de voto de pesar pela morte de trabalhador dos SMAS
POLÍTICA
foto DR

PCP decidiu fazer política com a morte de um trabalhador dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento mas deu-se mal. Bancadas da assembleia municipal consideraram suposto voto de pesar uma falta de respeito para com o luto da família e a memória de Luís Grilo.

Os eleitos da Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira rejeitaram, na sua última sessão, um voto de pesar pela morte de Luís Grilo, trabalhador dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) que morreu vítima de acidente de trabalho, durante a limpeza de um reservatório.

O voto de pesar foi apresentado pela bancada da CDU e propunha que fossem prestadas as condolências à família enlutada, aos amigos e colegas de Luís Grilo. Mas a maioria do documento é ocupado com considerações sobre acidentes de trabalho, havendo mesmo um parágrafo em que a CDU diz que não pode ser descurada a “importância e responsabilidade” dos SMAS enquanto entidade empregadora no apoio à família e sua salvaguarda.

O documento acabou chumbado com os votos contra das bancadas do PS e da coligação liderada pelo PSD e a abstenção do Bloco de Esquerda. Apenas CDU e PAN votaram a favor. Paulo Afonso, da bancada socialista, referiu que o documento mais não é do que um “suposto” voto de pesar, destinado a lançar suspeições sobre os SMAS.

A bancada socialista propôs a retirada do parágrafo em que é lançada uma suspeição sobre os SMAS para que houvesse uma votação unânime, opção igualmente defendida pela Coligação Mais (liderada pelo PSD), pelo independente António Martins (ex-CDS) e pelo presidente da Junta de Alhandra, São João dos Montes e Calhandriz, Mário Cantiga (CDU). Todos entenderam que o voto de pesar dos comunistas extravasava os limites de um voto de pesar e que o mesmo estava a ser usado para fins políticos.

A CDU recusou alterar o texto por entender que não atira responsabilidades para cima de ninguém e que, apesar de ainda estar a decorrer um inquérito sobre o acidente na Autoridade para as Condições do Trabalho, a entidade empregadora deve mesmo ter a obrigação de acompanhar a família. Os comunistas mantiveram o texto original e o documento acabou chumbado.

PCP acusado de fazer “baixa política”

O socialista Paulo Afonso vincou que o PS “não aceita que se lancem gratuitamente insinuações e processos de intenções, muito menos a inadmissível instrumentalização do falecimento de um trabalhador para o combate político”, considerando que o PCP fez uma “baixa política” e actuou com falta de ética.

A morte de Luís Grilo foi sentida com pesar em todo o município. Na manhã da sua morte, no dia 9 de Setembro, foi reservado um minuto de silêncio na reunião de câmara.

Mais Notícias

    A carregar...

    Edição Semanal

    Edição nº 1478
    19-08-2020
    Capa Médio Tejo
    Edição nº 1478
    19-08-2020
    Capa Vale Tejo