Política | 23-05-2022 15:00

Edição Semanal. Ânimos exaltados em reunião de câmara do Entroncamento

Rui Madeira, vereador social-democrata, foi impedido pelo presidente da câmara, Jorge Faria, de ler uma declaração de voto

O presidente do município, o socialista Jorge Faria, cortou a palavra a um vereador da oposição por não gostar do que estava a ouvir. Como pano de fundo está a polémica decisão de demolir o Jardim-de-Infância Sophia de Mello Breyner Andresen.

O verniz estalou na reunião do executivo da Câmara do Entroncamento de 3 de Maio ao ponto de o presidente do município, Jorge Faria (PS), numa atitude autoritária, ter cortado a palavra ao vereador do PSD, Rui Madeira. Em causa estava a polémica que envolve o Jardim-de-Infância Sophia de Mello Breyner Andresen, que a maioria socialista decidiu, em Março de 2021, mandar demolir retirando os alunos do estabelecimento escolar. No entanto, mais de um ano depois a escola continua de pé, embora sem utilização.
Quando se estava a analisar a acta da reunião camarária de 15 de Março, Rui Madeira disse que a mesma não reflecte a posição dos vereadores social-democratas sobre o assunto. Na reunião de 3 de Maio o vereador do PSD voltou a ler a declaração de voto expressa na altura, sendo interrompido diversas vezes por Jorge Faria que não quis que Rui Madeira continuasse a ler. “O senhor vereador está a abusar”, disse o presidente, aumentando o tom de voz e acrescentando que os vereadores podem consultar todos os documentos.
Rui Madeira desmentiu o presidente da Câmara do Entroncamento contando que sempre que os vereadores do PSD pretendem consultar os documentos no edifício da câmara não conseguem fazê-lo. “Gostávamos de ter a situação clarificada e não andar num folclore por causa deste assunto da escola”, afirmou. Jorge Faria não gostou das insinuações e disse que são os vereadores do PSD a fazer ‘folclore’ com o tema. Faria exaltou-se com o assunto e decidiu retirar a palavra a Rui Madeira.
Rui Madeira apresentou um voto de protesto por lhe ter sido retirada a palavra, impedindo-o de ler a sua declaração de voto. “Esta é uma situação inaceitável”, lamentou o vereador social-democrata. Jorge Faria disse apenas que o voto de protesto “ficava registado” e prosseguiu a reunião.
Recorde-se que a Câmara do Entroncamento vai gastar 2,1 milhões de euros na demolição e reconstrução do Jardim-de-Infância Sophia de Mello Breyner Andresen – um edifício com apenas 15 anos encerrado por razões de segurança devido a problemas estruturais. Isto apesar de um relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) não considerar imprescindível essa opção radical e até abrir a porta a outras soluções. Os vereadores social-democratas defendem que deve ser elaborado um estudo de custo-benefício para perceber se é preferível demolir a escola ou requalificá-la.

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