Política | 01-01-2023 15:00

Junta de Alverca obrigada a gerir em duodécimos com chumbo de orçamento

Junta de Alverca obrigada a gerir em duodécimos com chumbo de orçamento
Cláudio Lotra foi surpreendido com o chumbo do orçamento e diz que a situação não é ideal para o momento que se vive na freguesia

Executivo socialista da União de Freguesias de Alverca do Ribatejo e Sobralinho perdeu o apoio da coligação Nova Geração e viu o seu orçamento ser chumbado.

Também a bancada da CDU, que habitualmente se abstém, desta vez votou contra o documento, comparando-o às contas de uma “comissão de festas”.

O orçamento e as grandes opções do plano da União de Freguesias de Alverca do Ribatejo e Sobralinho para 2023 foram chumbadas pela assembleia de freguesia e o executivo da junta vai ser obrigado a gerir a autarquia em duodécimos até apresentar um novo orçamento para ir a votação em Janeiro. O documento, cujo valor rondava os 2 milhões e 185 mil euros, foi chumbado com os votos contra da CDU e da coligação Nova Geração (PSD/PPM/MPT), a abstenção do Bloco de Esquerda e os votos favoráveis do PS e do CDS.
Apesar de ter pedido a solidariedade e a colaboração dos autarcas para ter o orçamento aprovado para fazer face às novas despesas tidas com as cheias o presidente da junta, Cláudio Lotra, não conseguiu ser ouvido. “Vamos ter despesas urgentes e inadiáveis que não se coadunam com gestão em duodécimos, temos de ser responsáveis”, lamentou.
O sentido de voto colocou a nu a rotura no entendimento de governação existente entre o PS e a Nova Geração para este mandato. A Nova Geração queixa-se de falta de diálogo com o presidente da junta e diz não ter encontrado vontade do executivo em apresentar um orçamento digno. Perante “todas as irresponsabilidade demonstradas pelo executivo durante o actual mandato” não restava outra opção senão votar contra o orçamento. “Foi-nos apresentado um orçamento irrealista e enganador, pouco amigo das famílias, das empresas, das pessoas e da cidade”, considera a coligação liderada pelo PSD.
Já o Partido Socialista acusou a coligação de deitar por terra o acordo governativo e de se ter aliado à CDU, numa postura que classificou de irresponsável e inconsequente. “Num momento em que a junta precisa de um orçamento aprovado para ter os meios para ultrapassar os efeitos das cheias o PSD escolheu de que lado quer ficar”, condenaram os socialistas.

Oposição lamenta falta de ambição
João Fernandes, do Bloco de Esquerda, justificou a abstenção com um orçamento “pouco ambicioso” e com falta de ideias mas onde destacou a inclusão da proposta do Bloco em apostar na redução das barreiras de acessibilidade nas escolas do primeiro ciclo.
Já Carlos Gonçalves, da CDU, bancada que habitualmente viabiliza os orçamentos da junta, desta vez votou contra. “As grandes opções do plano deixam muito a desejar e ficamos com um grande desencanto. Parece o orçamento de uma comissão de festas. Dizerem que precisam do orçamento para resolver o problema das cheias é falso, não precisam, vão continuar a trabalhar em duodécimos até apresentarem um orçamento rectificativo”, criticou o autarca.
Rui Valadas, do CDS, votou favoravelmente por entender que este era apenas o primeiro passo do orçamento e por este ter integrado algumas das propostas da sua bancada como o programa de escrita criativa nas escolas.

O que estava previsto

O orçamento apresentado mostrava um crescimento de 7,5% face ao valor do ano anterior e apostava num equilíbrio financeiro sem aumento das taxas, compensado por um aumento da fiscalização nas ruas. Apresentava 24 projectos de intervenção para a união de freguesias, entre eles a concretização de um parque de estacionamento na Quinta do Galvão, uma bolsa de estacionamento na Rua José Aleixo, no Sobralinho, e a requalificação do Largo da Cruz no Sobralinho. Também outros trabalhos como a requalificação da rotunda do Auchan e da Rua da Aviação estavam contemplados, além da aquisição de material para equipar o balcão da junta que vai ficar na nova loja do cidadão da cidade.

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