Política | 04-06-2023 21:00

Ricardo Gonçalves compreende posição da CAP ao não querer governantes na Feira da Agricultura

Ricardo Gonçalves compreende posição da CAP ao não querer governantes na Feira da Agricultura
TEXTO COMPLETO
Ricardo Gonçalves diz entender decisão da CAP de não convidar ministra da Agricultura para a Feira de Santarém

Presidente da Câmara de Santarém acha que assiste razão à Confederação dos Agricultores de Portugal na guerra aberta que mantém com o Governo e lembra que não é a primeira vez que governantes não são convidados para a Feira Nacional de Agricultura, organizada pelo CNEMA onde o município é accionista.

O presidente da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves (PSD), entende a posição que a CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal - tomou ao decidir não convidar membros do Governo para a Feira Nacional de Agricultura (FNA), que vai decorrer no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), em Santarém.
O autarca recordou na reunião de câmara de segunda-feira, 29 de Maio, que já anteriormente a CAP havia tomado posição semelhante, então em relação ao ministro da Agricultura Jaime Silva, durante um dos governos de José Sócrates. E que há poucas semanas a CAP havia feito o mesmo durante a realização da Ovibeja.
Ricardo Gonçalves deixou algumas críticas à postura que a ministra da Agricultura tem assumido e admitiu que, pondo-se no lugar da CAP, “se calhar percebe” a posição de antagonismo assumida pela organização de agricultores que, entre outros pontos, tem contestado com veemência o eventual fim das direcções regionais de agricultura.
Afirmando-se “muito preocupado com a possibilidade de perda de fundos comunitários” para o sector agrícola, Ricardo Gonçalves referiu que a CAP tem agora um novo presidente, que passa também a liderar o CNEMA, diplomata de carreira. “Vamos esperar que esta diplomacia possa trazer melhores resultados para a nossa agricultura e fazer perceber de uma maneira clara a quem decide que não se pode estar a governar contra as entidades” disse Ricardo Gonçalves, frisando que essa opinião só o vincula a ele.
A Feira Nacional de Agricultura é organizada pelo CNEMA, sociedade de que a CAP é a maior accionista, sendo a Câmara de Santarém a segunda entidade com maior participação no capital social, 19%. Tal como O MIRANTE já noticiou, a CAP tomou a decisão unilateral de não convidar membros do Governo para a FNA em protesto contra as políticas do Governo numa posição em que o município não foi tido nem achado apesar de ter dois membros no conselho de administração do CNEMA – o presidente Ricardo Gonçalves e o vereador socialista Nuno Russo.
Na reunião de câmara de segunda-feira, Nuno Russo disse o mesmo que já tinha declarado dias antes na entrevista publicada nesta edição. Lamentou a posição da CAP por entender que a feira podia ser um espaço de diálogo para se exporem preocupações e reivindicações aos membros do Governo referindo que os autarcas foram colocados perante um facto consumado.

Ministra não comenta
Já a ministra da Agricultura optou por não comentar a decisão dos dirigentes da CAP. Questionada por O MIRANTE no final da semana passada, à margem da apresentação do projecto “Aire e Candeeiros Culinary Center”, na praia fluvial dos Olhos d’Água, em Alcanena, Maria do Céu Antunes respondeu que “não vale a pena falar no assunto nem responder sobre isso”, antes de sair para o almoço com os restantes convidados.

Esquerda impediu venda de acções do município no CNEMA

Em 2015, quando a Câmara de Santarém se encontrava sob assistência financeira do PAEL, a gestão PSD, que não tinha maioria absoluta, pretendeu vender grande parte das acções que o município detém tanto no capital social do CNEMA como na Escola Profissional do Vale do Tejo (EPVT). Os vereadores do PS e da CDU, que juntos tinham maioria no executivo, manifestaram-se contra essa possibilidade e o assunto morreu aí.
Para Ricardo Gonçalves, a intenção de venda passava pela necessidade de o município precisa de encaixar receitas extraordinárias, conforme recordou na reunião do executivo de segunda-feira. A autarquia tem cerca de 19% do capital do CNEMA e 25% na Escola Profissional do Vale do Tejo e pretendia reduzir a sua participação para apenas 3% em cada um dos casos. Na altura, Ricardo Gonçalves estimava que o município pudesse encaixar com o negócio cerca de dois milhões de euros com a venda de acções do CNEMA e cerca de 300 mil euros com as da EPVT.

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias

    Edição Semanal

    Edição nº 1660
    17-04-2024
    Capa Vale Tejo
    Edição nº 1660
    17-04-2024
    Capa Lezíria/Médio Tejo