Política | 12-09-2023 10:00

Vida privada de vereadora do PS de Azambuja continua a ser arma de arremesso da oposição

Vida privada de vereadora do PS de Azambuja continua a ser arma de arremesso da oposição
Vereadora do Chega, Inês Louro (à esquerda) defende que Ana Coelho, vereadora da maioria socialista devia largar o pelouro da Protecção Civil

Os ânimos aqueceram na última reunião pública do executivo da Câmara de Azambuja com trocas de acusações entre a vereadora que tem o pelouro da Protecção Civil, Ana Coelho, e os vereadores do Chega e PSD, Inês Louro e Rui Corça.

O clima de tensão subiu alto na última reunião do executivo da Câmara de Azambuja quando a vereadora eleita pelo Chega, Inês Louro, disse que é uma “vergonha” a vereadora socialista, Ana Coelho, continuar com o pelouro da Protecção Civil depois desta ter acusado a oposição à direita de ter “comprometido” o socorro no concelho ao terem chumbado a actualização salarial do Grupo de Intervenção Permanente dos Bombeiros de Azambuja. “Os seus colegas não têm coragem de lhe dizer na cara aquilo que toda a gente sabe e fala baixinho. Lamento profundamente porque não têm coragem de lhe dizer, como eu lhe estou a dizer, que se a senhora tivesse vergonha ficava sem o pelouro da Protecção Civil”, disse Inês Louro, que já exigiu em reunião camarária a retirada do pelouro a Ana Coelho por esta ter uma relação amorosa com o comandante dos Bombeiros de Azambuja, o que na sua opinião transmite uma imagem de falta de imparcialidade e isenção. Sobre este tema, recorde-se, o município solicitou um parecer à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo que conclui a “inexistência de incompatibilidade legal” de Ana Coelho deter o pelouro e, simultaneamente, viver em união de facto com o comandante, mas alertou que “poderão ocorrer situações de conflito de interesses”. Após a emissão do parecer Ana Coelho deixou de assinar propostas que digam respeito aos Bombeiros de Azambuja e não participa nas votações.
Inês Louro classificou ainda como “gravíssima” a intervenção de Ana Coelho sobre um comunicado emitido pela Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Azambuja (AHBVA) onde são visados os vereadores do PSD e Chega. “Acusar-me de ser responsável por meter em causa o socorro do concelho é uma afirmação gravíssima da qual terá que responder; não lhe vou perdoar”, afirmou utilizando as palavras “vergonha na cara” para classificar a intervenção da vereadora do PS acerca de um assunto que implica os Bombeiros de Azambuja.
Sobre o comunicado da AHBVA - onde é dito que o voto contra dos vereadores do PSD e Chega colocou em causa a sua sustentabilidade financeira - Ana Coelho, em resposta ao vereador do PSD, Rui Corça, afirmou ser verdade o que lá está escrito, sublinhando que se não fosse convocada uma reunião extraordinária, na qual a proposta acabou por ser aprovada, o apoio aos vencimentos dos bombeiros teria sido interrompido. “Só assim foi possível não comprometer o socorro neste concelho porque ao terem chumbado essa proposta comprometeram aquilo que foi o socorro e o ordenado desses funcionários”, disse, acrescentando que o apoio concedido é o que o município pode dar.
Também Rui Corça, que pediu os comprovativos de pagamento no âmbito do protocolo que o município tem com a AHBVA a fim de apurar se houve ou não interrupção do financiamento, não deixou a vereadora da Protecção Civil sem resposta. “Colocar na nossa mão a responsabilidade de ter diminuído a capacidade de socorro do concelho tem muito que se lhe diga”, referiu, sublinhando que o PSD não concordou com a proposta dos socialistas porque queria “dignificar o vencimento dos profissionais que prestam socorro”.
PSD e Chega chegaram a reunir com as duas associações humanitárias do concelho, de Alcoentre e de Azambuja, e com a delegação de Aveiras de Cima da Cruz Vermelha Portuguesa com o objectivo, explicaram, de elaborarem uma proposta onde o aumento do apoio fosse superior ao apresentado em proposta pelo PS (de 122.220 euros para 126 mil euros). Os socialistas fizeram posteriormente nova proposta, que foi aprovada, onde o aumento passou de 126 mil euros para 139.806 euros.
O presidente do município, Silvino Lúcio (PS), disse na última reunião após a intervenção do vereador do PSD que a autarquia tem feito reajustes graduais aos apoios às associações humanitárias e CVP “em função do que é possível” e comprometeu-se a entregar os comprovativos solicitados pelo vereador.

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