Política | 20-01-2024 18:00

Concelho de Benavente está pronto para receber novo aeroporto internacional

Concelho de Benavente está pronto para receber novo aeroporto internacional
Maria do Rosário Partidário, Carlos Coutinho, Carlos Mineiro Aires e Augusto Marques lideraram a sessão pública realizada no sábado, 13 de Janeiro

Autarcas de Benavente e Coruche não têm dúvidas e dizem-se prontos para receber um novo aeroporto no Campo de Tiro. Moradores de Samora Correia e Santo Estêvão elogiam a escolha mas não escondem preocupações com eventuais impactos na comunidade.

Seja qual for a decisão governamental para o futuro aeroporto de Lisboa a coordenadora da Comissão Técnica Independente (CTI) que avaliou qual a melhor localização para a infraestrutura avisa: terá de ter espaço para crescer e deve ficar longe de habitações e núcleos urbanos, como acontece com a solução do Campo de Tiro da Força Aérea no concelho de Benavente. Isto para que, afirmou, não se repitam desastres perto de habitações como o que ocorreu em Camarate, onde a 4 de Dezembro de 1980 a aeronave transportando o então primeiro-ministro e ministro da Defesa se despenhou matando sete pessoas.
“É muito importante que não aconteça um novo Camarate e o que aconteceu no aeroporto Humberto Delgado. O problema no Humberto Delgado é que não se reservou espaço para poder ser expandido”, criticou Maria do Rosário Partidário. A responsável falava durante uma sessão pública realizada no Centro Cultural de Samora Correia, concelho de Benavente, na tarde de sábado, 13 de Janeiro, numa apresentação à comunidade. “Um aeroporto tem de ter espaço para se expandir e não criar condições de bloqueio. Pode trazer grandes oportunidades do ponto de vista económico e social, mas têm de ser bem capitalizadas senão é um desastre anunciado”, avisou.
Já os autarcas de Benavente e Coruche não têm dúvidas e acreditam que a proposta da comissão de considerar Samora Correia como a melhor localização para o futuro aeroporto de Lisboa é boa para toda a região. Carlos Coutinho, presidente da Câmara de Benavente, diz que a solução Montijo “era errada e sem sentido” e que as conclusões da CTI vêm dar razão a uma resolução do Conselho de Ministros de 2008 que, já na altura, considerava a solução do Campo de Tiro como a mais acertada para o futuro aeroporto.
“Infelizmente tem havido manifestações procurando descredibilizar o trabalho da comissão de forma inaceitável, um ataque ao carácter das pessoas que nenhum de nós deve aceitar”, criticou Carlos Coutinho. Para o autarca da CDU, a decisão deve servir os interesses do país e não deve estar ao serviço de interesses particulares e económicos. “É impensável que após este trabalho todo tivéssemos uma decisão política que mandasse para o caixote do lixo o trabalho que foi feito”, criticou. O autarca de Benavente garante ter um concelho preparado para dar resposta às necessidades com um PDM de segunda geração “para duplicarmos a nossa população, duplicar actividades económicas e contemplar a localização de um novo aeroporto”, garantiu.

“Devemos ficar felizes e contentes”
Para Francisco Oliveira, presidente da Câmara de Coruche, o aeroporto no Campo de Tiro vai servir o país e trará para os concelhos da região “a capacidade de crescermos, ter mais desenvolvimento económico, social, emprego, qualidade de vida, melhorar as ruas, estradas e pontes. Permitir tratar das fragilidades das acessibilidades e criar ligações ferroviárias. Se esta solução for a que politicamente for decidida devemos dar-nos por muito contentes e felizes”, defendeu.
O que é preciso agora é que os políticos decidam e não deixem o trabalho na gaveta outros 50 anos, ressalvou Carlos Mineiro Aires, presidente da Comissão de Acompanhamento, que perante as críticas que a CTI tem recebido, inclusive dos promotores do projecto de Santarém, ironizou dizendo que os cães ladram mas a caravana passa e que à medida que o processo vai chegando ao fim “vale tudo” incluindo difamação dos membros da comissão. “Os dois partidos que subscreveram isto têm de manter o espírito e a boa-fé e só assim é que é. Será lamentável que não tenhamos uma estrutura destas em condições, com ligações à ferrovia e rodovia. Isto é o que nos vai transformar num país moderno e integrado na União Europeia”, notou. O responsável lamentou que Portugal ainda não tenha uma ligação rápida ferroviária a Espanha e lembrou que o país não deve deixar que interesses privados possam hipotecar o futuro. “As obras têm prazo mas a soberania do país não tem”, atirou.

Um exemplo de cidadania
Num auditório onde estiveram meia centena de pessoas, cerca de uma dezena usou da palavra para manifestar a sua preocupação com a possibilidade dos moradores de Santo Estêvão sofrerem com o ruído dos aviões. Luís Rosa, controlador aéreo, de Benavente, elogiou a comissão por ter retirado Alverca das hipóteses em cima da mesa, por considerar “horrível” a quantidade de colisões com aves que se registam na zona, o que também acontecerá caso Montijo avance, na opinião do morador. Outro residente, Domingos David, lembrou a necessidade de ser feito investimento em novos acessos rodoviários e ferroviários em Benavente, especialmente na Estrada Nacional 118 que está em muito mau estado devido ao tráfego constante de viaturas pesadas.
Na plateia esteve também José Encarnação, fundador da plataforma cívica “Aeroporto na Base Aérea 6 do Montijo Não”, que lembrou que foi possível chegar até aqui porque houve cidadãos que conseguiram demonstrar, “perante o poder imenso de uma concessionária, que vale a pena exercer a cidadania e lutar. Isso foi determinante”, frisou, lembrando que até o Governo aprovar a localização não há quem durma descansado. Outro morador de Benavente, Nelson Valente, lembrou que Benavente terá de fazer um esforço e investir para manter a sua identidade de forma a não dar um passo maior que a perna.

Santarém ainda pode ser hipótese

À saída, Maria do Rosário Partidário disse aos jornalistas que a opção Santarém ainda poderá vir a ser reanalisada no relatório final com base em novos contributos que venham a ser dados no âmbito da discussão pública que decorre até 26 de Janeiro. A CTI considerou Santarém inviável por razões de navegação aérea, que entram em conflito com a base aérea de Monte Real. “Poderemos vir a considerar Santarém uma opção válida se conseguirem aumentar os movimentos por hora, que era limitado pelo espaço aéreo. Se isso for ultrapassado deixará de haver esse critério de inviabilidade. Com a capacidade de espaço aéreo que nos apresentaram é inviável, fica com menos capacidade do que o aeroporto Humberto Delgado. Se houver uma reordenação (das pistas) voltaremos a analisar em função do que nos enviarem”, explica a responsável. Até 10 de Março a CTI irá terminar a versão final do relatório para enviar ao futuro Governo.

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