Zanga entre presidente da Junta Urbana de Tomar e antigo secretário gera instabilidade na autarquia
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O presidente da União de Freguesias de Tomar, Augusto Barros (PS), está em conflito com o antigo secretário do executivo, João Martins (CDS). A demissão do secretário terá gerado mau estar na autarquia, com João Martins a apontar irregularidades na gestão da junta. O presidente diz que está de consciência tranquila e pronto para que se faça uma auditoria.
A Junta Urbana de Tomar, união das freguesias de Santa Maria do Olival e São João Baptista, está a viver momentos de instabilidade. O presidente da junta, Augusto Barros (PS), decidiu demitir o antigo secretário, João Martins (CDS), o que terá causado um conflito entre ambos. Augusto Barros diz que, após três anos de mandato em que tudo correu bem, o antigo secretário começou a pôr dificuldades na normal actividade da freguesia, tornando-se um “estorvo” nas decisões da junta. João Martins aponta para irregularidades na gestão da autarquia, que, garante, vão ser comprovadas em auditoria.
Em declarações a O MIRANTE, o presidente da junta explica que no início do mandato, após as eleições, formou uma aliança com o CDS, dando o lugar de secretário a um dos membros do partido, com o objectivo de facilitar a aprovação das propostas do executivo na assembleia de freguesia. Refere que durante três anos isso aconteceu, mas ao fim desse período os representantes do CDS começaram a colocar dificuldades em aprovar algumas propostas essenciais para a normal actividade da freguesia. “Perante esse facto e tendo em conta que passou a ser um estorvo de acção, por parte dessa pessoa como secretário, eu só tive que o chamar à atenção”, conta Augusto Barros.
O presidente da junta refere que, tendo em conta que o secretário deixou de ser um aliado, posicionando-se contra o executivo, acabou por o demitir. Após a demissão, Augusto Barros ofereceu o lugar de tesoureiro ao antigo secretário, que não aceitou a proposta. E a zanga agudizou-se. “Ele agora tem o objectivo de me fazer frente, de dizer o pior de mim, caluniar-me”, acusa Augusto Barros, dizendo estar de consciência tranquila e pronto para que se faça uma auditoria, referindo que as “injúrias de corrupção” foram encaminhadas para o Ministério Público.
Contactado por O MIRANTE, João Martins garante que todas as suas acusações vão ser comprovadas em auditoria. “O que posso dizer é que de facto não ofendi ninguém, simplesmente relatei factos que vi e que serão comprovados. O senhor presidente destituiu-me de secretário e fiquei como vogal não executivo, e eu por minha livre e espontânea vontade é que pedi a demissão do órgão executivo, visto que me deparei com irregularidades na gestão da junta”, explica o membro do CDS. Refere que ao longo dos três anos em que esteve como secretário na junta, a situação foi-se degradando e terá piorado recentemente com a demissão do anterior tesoureiro. “Foram situações no final de Dezembro que me despertaram para algumas questões, eu fui ver a documentação que achava mais estranha e obviamente que não posso compactuar com irregularidades que possam existir”, justifica.
A junta de freguesia vai ser alvo de uma auditoria, proposta pelo PSD, que foi aprovada por unanimidade na assembleia de freguesia que se realizou no dia 28 de Janeiro.