Política | 06-01-2026 10:00

Polémica com construções ilegais do Grupo Verdasca acendeu debate na última Assembleia Municipal de Ourém

Polémica com construções ilegais do Grupo Verdasca acendeu debate na última Assembleia Municipal de Ourém

Presidente da Câmara Municipal de Ourém acusa oposição socialista de ser irrelevante. Deputado do PS, Nuno Baptista, levou para cima da mesa a polémica com as construções ilegais do Grupo Verdasca.

O deputado Nuno Baptista (PS) questionou o presidente da Câmara Municipal de Ourém, Luís Albuquerque (PSD), sobre algumas opções do município que possam ter sido “desenquadradas”, afirmou. Uma intervenção que aludia à polémica em torno do Grupo Verdasca, que está a ser alvo de uma investigação, depois de ter avançado com a ampliação da fábrica de materiais em betão sem licenciamento e ter desrespeitado quatro embargos, três da Câmara de Ourém e um da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) de Lisboa e Vale do Tejo.
O deputado pediu esclarecimentos sobre um comunicado alusivo a uma licença provisória de obras emitida pelo município que permitiria uma das empresas do Grupo Verdasca de aceder a fundos comunitários referentes a obras. O deputado disse que em reunião de câmara, de 3 de Março de 2025, foi aprovada por maioria, uma proposta de alteração do Plano Director Municipal (PDM), referente a uma avaliação ambiental estratégica para poder ultrapassar a determinação da Inspecção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território que impediria a CCDR e a Agência Portuguesa do Ambiente de aprovar qualquer proposta de alteração à delimitação da Rede Energética Nacional que possa ser submetida pela câmara, sem que esta assegure, através da avaliação ambiental estratégica, a identificação, descrição e a avaliação dos seus impactos ambientais. O deputado questionou ainda, caso esta avaliação ambiental estratégica não tenha um parecer positivo, se a alteração do PDM será inviabilizada.
Luís Albuquerque respondeu com alguma indignação às questões, afirmando que não existem licenças provisórias de obras. O presidente referiu ainda que o Grupo Verdasca não recebeu quaisquer fundos comunitários, dado que possui um documento emitido pela entidade a quem pediram estes mesmos fundos, alegando que não os obteriam, dada a ausência do licenciamento municipal. O presidente afirmou que a avaliação ambiental estratégica foi feita e entregue à CCDR, e aguardam pela análise e apreciação da comissão, para que o processo possa ter continuidade. Referiu ainda que a alteração do PDM é um processo da responsabilidade do município e a sua viabilidade é aprovada pela assembleia municipal.
O presidente lançou ainda algumas farpas à bancada socialista, afirmando que o PS tem vindo a reduzir o número de deputados e a sua importância desde o início das suas funções, em 2017. Num tom irónico, disse que em 2017 o Partido Socialista, com oito deputados, necessitava de uma carrinha “Ford Transit” para transportar os seus membros, e que neste momento, com três deputados, apenas precisa de um “Tuc Tuc”.

Luís Albuquerque  - foto O MIRANTE
Nuno Baptista - foto O MIRANTE

A polémica que envolve o Grupo Verdasca

As construções que o Grupo Verdasca fez no perímetro da empresa de produção de materiais à base de betão, em Fátima, foram o rastilho de uma operação que levou a Polícia Judiciária (PJ) a fazer buscas na Câmara de Ourém e em três empresas. Em causa estão crimes de violação das regras urbanísticas, poluição, corrupção, fraude na obtenção de subsídio e branqueamento de capitais. A investigação procede a quatro embargos às obras e contra-ordenações que não fizeram parar as obras de ampliação da fábrica em zona de Reserva Ecológica Nacional, onde a empresa produz painéis em betão para alojamentos modulares. A questão da fraude na obtenção de subsídio tem a ver com o facto de a empresa ter concorrido a apoios comunitários, que garante não terem sido aprovados, num projecto que envolve um investimento de 20 milhões de euros.
O dono do Grupo Verdasca, líder nacional de materiais à base de betão, que tem como clientes as maiores construtoras e o Estado, questionado há um ano por O MIRANTE, quando se levantou a polémica das construções, reconheceu que não devia ter começado as obras sem licenciamento. Na altura, Fernando Verdasca justificou a sua decisão com o facto de já ter na empresa a maquinaria que adquiriu para o que classificou de projecto único em Portugal, de casas pré-fabricadas para habitação social e residências de estudantes, e não podia pôr em causa um investimento com recurso a empréstimos. O empresário acreditava, mesmo depois de três embargos da Câmara de Ourém e um da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT), que o processo de licenciamento estava a andar no município e que devia ficar concluído em breve. Reconhecendo que terá de pagar multas, ressalvava que não podia estar à espera por estar em causa um grande investimento com recurso a financiamento bancário e, conforme sublinhou, projectos no IAPMEI para maquinaria.

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