Parceiros de coligação ajudam a chumbar orçamento na Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa
A Assembleia de Freguesia da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa rejeitou o orçamento para 2026, decisão que inviabilizou também a votação do mapa de pessoal, do plano plurianual de investimentos e da tabela de taxas e licenças, aprofundando o impasse político na autarquia. Dois eleitos da coligação PSD/IL, que gere a junta de freguesia, ajudaram a chumbar o orçamento.
Foi chumbado o orçamento para 2026 da União de Freguesias da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa. Dois eleitos da coligação Nova Geração (PSD/IL) votaram contra o documento, tal como as bancadas de esquerda, e acusam o executivo da junta de falta de diálogo, apesar de o presidente, António José Inácio, ter sido eleito pela mesma coligação.
Segundo o PSD, o voto contra prende-se com razões políticas e financeiras. Para os eleitos do PSD que votaram contra, a redução da despesa corrente no orçamento terá efeitos práticos na qualidade de vida dos fregueses, com uma redução de 80% na capacidade de investimento. “O método segundo o qual o orçamento foi construído manifesta ausência de diálogo político e falta de envolvimento dos eleitos que sustentam o executivo. Princípios de lealdade política não foram respeitados”, alegaram ainda.
O Chega, que tem eleitos no executivo da junta devido ao acordo pós-eleitoral, absteve-se na votação do documento e sublinhou que esperava mais investimento. “Manteremos uma postura exigente e de fiscalização”, disse Pedro Matos.
PS, CDU e Livre votam contra
À esquerda, as bancadas do PS, da CDU e do Livre votaram contra o orçamento, inviabilizando o documento com a ajuda do PSD. Em declaração de voto, a bancada do PS justificou a posição não apenas com divergências técnicas ou financeiras, mas sobretudo com aquilo que considera ser uma grave crise política no seio do executivo liderado por António José Inácio. Os socialistas afirmam que a votação revela um cenário de “incoerência política absoluta” e de “ingovernabilidade assumida”, sublinhando que o presidente da junta, embora afirmando-se como independente, foi o cabeça de lista escolhido pelo PSD.
João Bernardo, eleito do Livre, sublinhou a ausência de qualquer aposta visível na área da ecologia ou no combate aos efeitos das alterações climáticas. Já a CDU, por Marco Santos, considerou que os documentos previsionais para 2026 revelam uma realidade “profundamente preocupante”, classificando o orçamento como um documento de recuo e de falta de ambição para a freguesia.
Contas finais, o orçamento foi chumbado com os votos contra dos seis eleitos do PS, um do Livre, um da CDU e dois do PSD. Os cinco eleitos do Chega abstiveram-se na votação. Na sequência do chumbo, o mapa de pessoal, o plano plurianual de investimentos e a tabela de taxas e licenças para 2026 não puderam ser votados. Ainda assim, a primeira reunião da assembleia de freguesia, que teve início no dia 30 de Dezembro, prolongou-se até ao dia 31 de Dezembro, uma vez que, quando terminou, já passava da meia-noite e meia.


