Política | 16-01-2026 07:00

Feira de Santa Iria em Tomar deu prejuízo de 361 mil euros

Feira de Santa Iria em Tomar deu prejuízo de 361 mil euros

O presidente da Câmara de Tomar afirmou que os números referentes à organização da emblemática Feira de Santa Iria obrigam a ponderar os actuais modelos de despesa e de receita.

A última edição da Feira de Santa Iria, certame secular que se realiza anualmente em Tomar, gerou um défice de 361 mil euros. O tema esteve em destaque na mais recente reunião do executivo da Câmara de Tomar, com os dados financeiros do evento a motivarem um debate político em torno do modelo de organização, financiamento e sustentabilidade futura.
O vereador do Chega, Samuel Fontes, que tem o pelouro das Feiras e Mercados, deu conhecimento ao executivo do mapa de receitas e despesas elaborado pelo Gabinete da Economia Local dos Mercados e Feiras. De acordo com o relatório, a Feira de Santa Iria de 2025 registou um total de 453 mil euros em despesas e apenas 91 mil euros de receitas, resultando num saldo negativo de cerca de 361 mil euros. O vereador sublinhou que 62% da despesa correspondeu a custos com animação, acrescentando que a receita arrecadada equivaleu a apenas 20% do total da despesa. Alertou ainda para o facto de o município continuar a cobrar taxas com base num preçário de 2013, enquanto as despesas são suportadas a preços actuais, considerando tratar-se de uma realidade que justifica reflexão.
O presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão (PSD), afirmou que ninguém coloca em causa a importância da Feira de Santa Iria para o concelho, lembrando que as contas agora apresentadas dizem respeito à última edição organizada pela anterior gestão socialista, embora a responsabilidade seja do município. O autarca defendeu que eventos desta dimensão devem equilibrar objectivos culturais e económicos com a sustentabilidade financeira e o rigor na gestão dos recursos públicos. Tiago Carrão garantiu que a Feira de Santa Iria continuará a ser uma prioridade cultural do município, mas sublinhou que os números conhecidos obrigam a uma reflexão profunda sobre os modelos de despesa e de receita.
Já o vereador do PS e ex-presidente da câmara, Hugo Cristóvão, recordou que cada executivo tem legitimidade para definir prioridades. Explicou que a anterior governação, liderada por si, encarou a Feira de Santa Iria como as festas da cidade, numa lógica semelhante à que ocorre na generalidade dos concelhos. Reconheceu que a animação tem custos associados e defendeu que o modelo se enquadrava nessa visão.
No encerramento do debate, Tiago Carrão reforçou que os dados apresentados e as últimas edições da Feira constituem o ponto de partida para uma avaliação séria do modelo actual, das estruturas de custos, da programação e das possíveis fontes de receita.

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